domingo, 28 de dezembro de 2014

Emetofobia

(...) e ela tinha três anos. Era uma criança, inocente. Nada entendia. Mas lembra do cheiro. Cheiro forte. Foi retirada de sua zona de conforto e levada para um lugar estranho... (...) passaram-se 30 anos. Mas o cheiro e a lembrança continuam vivos e chegam para amedrontar e tornar criança aquela que já é mulher. Vem o medo. Medo irracional, como irracional é a situação. Medo ao voltar a ser criança. Medo sem explicação. Medo que é falta de fé... Medo que é medo e só. (...) quase ninguém entende - nem mesmo a menina / mulher, mas o não-entendimento não o torna o não-sentimento. Ela só sente. E chora. Chora a dor de não ter crescido.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Relacionamentos descartáveis

Era cibernética. Época de relacionamentos e pessoas descartáveis. Onde as pessoas não discutem - e consequentemente não se entendem, pois simplesmente é mais fácil desfazer amizade, excluindo/ bloqueando das redes sociais sem direito de reposta. Não quero falar. Bloqueia e fim! É só um clique e desapegou. Triste Fim! A humanidade joga na lixeira e resta o silêncio. Não há como falar. Você junta os cacos que restou. Finge que está tudo bem. Mais alguns "likes" e começa tudo de novo. E a vida segue. Entre um post e outro. Sem atenção, sem explicação, sem olho no olho. Tudo ficou mais fácil - pra quem?-, tudo se resolve ignorando que por trás de uma tela existe uma vida e um coração. Quão cansativo é ser de verdade em um mundo de ilusão. Quão doloroso é tentar ser real em um mundo de mentiras... E como já dizia a música: "Ah, vida real! Onde é que eu troco de canal!?...