segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Viver um dia de cada vez

Fala-se muito em "viver um dia de cada vez". Sim, é fato. É preciso viver cada dia como único. Mas me pergunto: Se não sonharmos com o amanhã, que graça tem o dia de hoje? Se passarmos a viver um dia de cada vez, qual a alegria que se tem em planejar pelos dias vindouros?
Imagina que você vai viajar, mas dai "vivendo um dia de cada vez", você não vai poder fazer roteiros, comprar passagens, arrumar malas? O amanhã é incerto, sim (é fato), mas se pensarmos que não existe o amanhã, o hoje é um vazio. "Não vou comprar uma passagem para daqui a 3 meses, pois não sei se estarei viva. Comprar viagem com namorado? Piorou. Não sei se o relacionamento dura até amanhã. E assim vamos vivendo sem planos, sem futuro, sem sonhos.
Se estamos em um relacionamento onde não podemos planejar um futuro juntos, é como se não valesse a pena estar. É como se estivéssemos em um "stand by" diário. "Estamos hoje até que amanhã apareça alguém mais interessante", "estamos hoje até que amanhã eu me canse de você", "estamos hoje até que amanhã eu me apaixone por outra pessoa".
Sempre acreditei que a paixão fosse a doce esperança de ser cada dia melhor. Que quando estamos apaixonados pensamos e desejamos sempre mais. Fazemos planos. Imaginamos até como seriam os "filhos". Uma ilusão gostosa de se viver. Uma vez li em um livro que "O casamento é um namoro que deu certo". Se quando namoramos perdemos a essência e estamos agindo como se o relacionamento fosse um passatempo, nunca teremos a construção sólida de um relacionamento com a base para se chegar a um casamento. Se estamos "Vivendo um dia de cada vez", sem poder planejar nunca chegaremos a um dia em que estaremos dividindo mais do que beijos, mas companheirismo, dores e alegrias.
Ou talvez eu esteja errada. Aprendi a ser diferente. E quando eu estava vivendo um dia de cada vez, eu vivenciava a minha solidão diária, entregando mentiras risonhas e escondendo minhas verdades tristonhas.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Segunda-feira, 2 de fevereiro, 11h

Era uma segunda-feira comum. Com trânsito, com engarrafamento e ela chegava para mais um dia de trabalho...atrasada. Estava tranquila. Já estava naquela atividade há três anos e dois meses. Já havia passado por sete novos semestres e "volta às aulas".
Chegou e sequer teve tempo de sentar. Chamada à sala de reuniões nem imaginava que aquela não seria uma segunda-feira tão comum assim.
O assunto? Reformulação. E essa reformulação atingiria diretamente seu setor. Seu emprego. Inicialmente, em um instante de pensamento ela pensou na equipe. Achou que teria que se despedir de uma de suas estagiárias e seria doloroso. Até que recebeu a frase que ecoou na sua mente por dias: Você está sendo desligada!
O chão sumiu. É fato que todos passam por isso, mas dentro de tantas possibilidades ela jamais imaginou que seria assim. Desligada e pronto. Pode passar no Departamento Pessoal. Sem mais. (nem menos).
Era o fim. Não conseguia assimilar bem o que estava acontecendo.
Há sete dias estava retornando de férias.
Ela cruzou a portaria, já sem crachá. Agora precisava pedir para sair e entrar. Estava sem rumo.
As pernas tremiam. Os olhos não conseguiram mais segurar as lágrimas que estavam presas, o choro preso na garganta, a dor presa no peito.
Ela chorou. Chorou na rua, sem se importar com quem estava ao lado. Andou sem saber para onde ir. Precisava falar com alguém, mas a voz não saia. Algumas mensagens no Whatsapp: A melhor amiga, o namorado, a irmã. E saiu caminhando sem destino. Saiu cambaleando. Com o coração sangrando. Com os olhos mareados. Era segunda-feira. Eram onze horas da manhã. Era o fim.