domingo, 28 de dezembro de 2014

Emetofobia

(...) e ela tinha três anos. Era uma criança, inocente. Nada entendia. Mas lembra do cheiro. Cheiro forte. Foi retirada de sua zona de conforto e levada para um lugar estranho... (...) passaram-se 30 anos. Mas o cheiro e a lembrança continuam vivos e chegam para amedrontar e tornar criança aquela que já é mulher. Vem o medo. Medo irracional, como irracional é a situação. Medo ao voltar a ser criança. Medo sem explicação. Medo que é falta de fé... Medo que é medo e só. (...) quase ninguém entende - nem mesmo a menina / mulher, mas o não-entendimento não o torna o não-sentimento. Ela só sente. E chora. Chora a dor de não ter crescido.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Relacionamentos descartáveis

Era cibernética. Época de relacionamentos e pessoas descartáveis. Onde as pessoas não discutem - e consequentemente não se entendem, pois simplesmente é mais fácil desfazer amizade, excluindo/ bloqueando das redes sociais sem direito de reposta. Não quero falar. Bloqueia e fim! É só um clique e desapegou. Triste Fim! A humanidade joga na lixeira e resta o silêncio. Não há como falar. Você junta os cacos que restou. Finge que está tudo bem. Mais alguns "likes" e começa tudo de novo. E a vida segue. Entre um post e outro. Sem atenção, sem explicação, sem olho no olho. Tudo ficou mais fácil - pra quem?-, tudo se resolve ignorando que por trás de uma tela existe uma vida e um coração. Quão cansativo é ser de verdade em um mundo de ilusão. Quão doloroso é tentar ser real em um mundo de mentiras... E como já dizia a música: "Ah, vida real! Onde é que eu troco de canal!?...

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Amor: Artigo em desuso

"Adoram a nudez do corpo. Se assustam com a nudez da alma" (Otávio L. Azevedo)

É tanta inversão de valores que hoje em dia demonstrar sentimento é fraqueza. Se há mais de 15 anos Renato Russo escreveu que "amar ao próximo está tão démodé", imagina hoje. Vivemos em um mundo em que é sempre preciso fingir. Fingir que não sente. Fingir que não gosta. Fingir uma liberdade que não existe. Estamos cada dia mais reprimidos. Expondo mentiras, reféns da sociedade do espetáculo onde apresentamos exatamente o que nossos interlocutores - nem tão participantes assim - desejam ler/ ver / ouvir. Os monólogos virtuais estão cada vez mais presente. O vácuo. O silêncio. A indiferença também. Sejamos gelo. Sentimentalismo está fora de moda. O amor está fora de moda. Dessa forma, faremos parte da sociedade pós-moderna e cibernética.


Por te falar eu te assustarei e te perderei? Mas se eu não falar eu me perderei, e por me perder eu te perderia. (Clarice Lispector, A Paixão Segundo G. H)"

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Mais glamour e menos brilho: a triste realidade dos bailes de carnaval de Recife

Em 2013, o Prefeito Geraldo Júlio sancionou o projeto de lei 4/2013, batizada de Lei Momento do Frevo, que "institui que as rádios do Recife deverão tocar ao menos UM frevo por dia - isso mesmo, UM FREVO, coisa que realmente deve ser muito difícil de tocar - como forma de incentivar e promover o ritmo que é Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade - sim, a Unesco considera o frevo um patrimônio desde 2012, nós 'pernambucanos' (vírgula) não.

Louvável a iniciativa do prefeito e do vereador autor do projeto, mas será mesmo necessário que tenhamos uma lei para tocar algo tão nosso? 
O Galo da Madrugada, que arrasta mais de um milhão e meio de foliões por ano e toca FREVO e as pessoas não deixam de ir. Olinda reúne milhares de pessoas nos quatro dias de carnaval subindo e descendo ladeira, só com o frevo. Baile Municipal - o único que nos resta - reúne os nossos artistas todos os anos e antes mesmo de começar a vender os ingressos ou de serem divulgadas as atrações, as fantasias já estão preparadas. E quando começa a vender tem que correr para não perder... Então me pergunto: É realmente necessária uma reformulação de bailes - ditos tradicionais - como Baile dos Artistas e Bal Masquê?

Lembro-me que, em 2010, o primeiro ano do novo formato do Bal Masquê - que inclusive teve o mesmo tema do Baile dos Artistas de 2015 "Viva a Las Vegas" - foi a primeira deformação da nossa tradição. Não é novidade que o Baile dos Artistas, que existe há 36 anos, vem passando pelas mesmas mudanças, mas será mesmo que são necessárias para "inovar"?

Bem, há quatro anos eu bato na mesma tecla. Não quero que ninguém concorde comigo, mas quanto mais "glamour e luxo" colocam nestas festas, com menos brilho elas ficam.

Chegamos a um ponto em que precisamos criar leis para executar o que temos de melhor: Nossa cultura, nossa raiz, nossa tradição, nossa história!

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Deus NÃO está morto

O filme "Deus não está morto" me fez lembrar minha primeira aula no curso de Teologia. Meu amado e eterno professor Gilbraz perguntou: "Deus existe?". Nós, alunos, católicos e fiéis das mais diversas igrejas respondemos com convicção: Sim, Deus existe. E ele continuou: Prove!
Os demais períodos estudamos, não para provar a existência dEle, afinal, dentro de cada um de nós Ele já existia, mas para reafirmarmos nossa fé em sua existência. Deus esteve presente durante todo o curso e mais, descobrimos que Deus não era uma propriedade exclusiva de alguns religiosos. Deus existia na "igreja", enquanto instituição religiosa, mas, principalmente, existia dentro de cada um de nós, enquanto criaturas. Um outro professor dizia que, para estudarmos o "Theos" deveríamos estar sempre com uma Bíblia na mão e um jornal na outra - não foi a toa que levei esse ensinamento tão a fundo que depois de oito anos me formei jornalista- pois o conhecimento das escrituras não poderiam estar distante da realidade humana e diária. Fé e Racionalidade devem andar lado a lado. Todos os dias eu vejo noticiais sobre o Papa Francisco e me alegro em ver a renovação na Igreja Católica Romana. Penso que, se eu existisse no período do protestantismo, certamente eu ficaria ao lado de Lutero, justamente por concordar com a necessidade de sempre com a base do conhecimento cristão - a Palavra. Sou grata aos meus mestres teólogos que emprestaram um pouco do seu conhecimento para despertar em mim o desejo de estar sempre mais perto do Sagrado, descobrindo-o e alimentando-me dele. E, sobretudo, por mesmo depois de 10 anos ainda manter vivo seus ensinamentos. O filme é perfeito. Senti falta das minhas aulas de Teologia e de poder partilhar com os meus amigos nos grupos de crisma, mas senti-me renovada. Se Deus existe? Eu creio que sim. E se manifesta assim, nos detalhes da vida. Não preciso de milagres. Pois Ele é absoluto em meus dias.

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

As variedades que levam aos vazios

Atualmente as escolhas estão em nossas mãos, literalmente.
Basta um clique e nos é aberto uma infinidade de possibilidade. Aplicativos que nos 'ajudam' a ser sociais estão ao alcance dos dedos. Pronto. Duas pessoas combinam - ou, pelo menos, se acharam bonitinhas.
Essas facilidades têm nos deixado cada vez mais vazios. Não criamos vínculos. Não conhecemos pessoas. Nos encontramos, se a atração for além do primeiro olhar, beijamos, abraçamos e nos deixamos. Sem compromisso. Sem cobranças. Sem sentimentos também. Aliás, "sem sentimento vírgula"... Há os que se apegam e sofrem a dor da caretice. A dor de não se acostumar com encontros casuais. Não se acostumam com a frieza dos monólogos do chat. Não se acostuma com a ausência dos telefonemas...e, justamente por não se acostumar, se mantém sozinha.
O vazio das relações passageiras ou o vazio de nenhuma relação. É uma dúvida que devemos enfrentar sempre.
(...)

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Os monólogos dos chats: A arte de ser ignorado

Podem dizer que é implicância de quem viveu na era pré-tecnológica, mas há algo mais irritante do que os monólogos provocados nos chats? É no Facebook, no WhatsApp, no Skype...em todos os lugares corremos um risco imenso de sermos ignorados. Duvido que isso acontecesse na década de 1990.
Até por telefone, as pessoas ao menos desligavam (na cara se não quisessem ouvir) ou não atendiam. Simples assim. Só não deixavam o outro no vácuo, no vazio de infinitas mensagens sem respostas.
Hoje em dia é assim. Ninguém tem coragem de dar tchau, de dizer que está ocupado ou que a conversa está um saco. Simplesmente deixam de responder - e nunca sabemos se é por desatenção ou se a pessoa dormiu ou mesmo se a conexão caiu ou se... e tantos se... que surgiram com as redes - ditas - sociais.
É irritante. É complicado estabelecer um diálogo, porque as opções são tantas que ninguém se prende exatamente a uma conversa.
Atualmente há cada vez menos respeito entre as pessoas. Ainda prefiro a sinceridade de dizer "não quero falar sobre isso agora" ou "estou trabalhando" do que a total ausência de resposta.
Então, a criatura ignorada, que segue sem saber os motivos, tem que fingir que está tudo bem para que não seja classificado como chato, carente ou inconveniente.
Mais amor, menos chat!

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Do mIRC ao Tinder: a sutil diferença entre conteúdo e embalagem

O fato é que muita gente nem lembra o que é mIRC, mas vou explicar em resumo: Lá no começo dos anos 2000, onde a internet discada era a grande alegria de alguns reles mortais, o mIRC era um "aplicativo" que era instalado no imenso PC. Lá abriam uma telinha onde era possível conversar com pessoas de todo o mundo a partir de canais criados. Nesta linda tela, só era permitido utilizar textos e a variação era mudar a cor da fonte e registrar o nick - permitindo que apenas UMA pessoa pudesse ter o nome ( lembro que quando consegui registrar o meu senti um orgulhinho).
Enfim, conhecíamos as pessoas através do conteúdo. Nem precisava ser o super CDF não. Normalmente as conversas eram compostas de brincadeiras e tiração de onda, como a maioria dos chats. E se alguém mais interessante chamasse atenção era possível conversar "privado". Mas foto era algo realmente complicado - primeiro porque o aplicativo não permitia o envio de imagem. Segundo porque câmeras digitais não eram tão comuns e carregar uma foto na internet era algo realmente trabalhoso. Conhecíamos a pessoa pelo papo. Conhecíamos 'às cegas'. Gostávamos mais da conversa, do jeito como ela teclava e do que era imaginado. Perguntas do tipo "como você é", eram frequentes e tentávamos criar uma imagem do que nos eram dito - nem sempre próximo da realidade.
Chegamos ao ano de 2014 onde todas as pessoas 'normais' do mundo utilizam smartphones cada vez mais modernos, A forma de conhecer pessoas mudou. Vence aquele que tem o photoshop - ou quem é mais fotogênico. Tudo está ali para ser "curtido" ou "descartado", sem ser necessário que se troque uma palavra sequer. Os corretores automáticos facilitam bastante quando uma comunicação escrita é necessária. Mas pra quê ter conversa, ser agradável e uma escrita perfeita? Você já é bonito, todo o resto é desnecessário! As pessoas se tornaram vitrines onde a beleza física vem antes de qualquer coisa. É só um "like". O resto...é só o resto! Ah, vai, mas levanta o ego ver que tem umas 50 combinações no Tinder, Você é match! Uhuhhhh,... Palmas! És belo! Mas e o que deveria ser fundamental onde fica? O essencial para onde vai? Cada vez mais os valores vão se invertendo e as pessoas vão se acostumando com isso. Viva a ostentação! Viva a ditadura da beleza. Mais uma vez ela vai nos dizendo como devemos viver e o que devemos ser para nos tornarmos cada vez mais aceitável perante a sociedade.
O mundo está em suas mãos, basta ser bonito e torcer para ter muitos cliques. Se as coisas vão caminhar daí para frente já não sabemos, mas quem se importa? No próximo "like" a gente se vê!

Por te querer...

é que quando te vejo o corpo estremece, a mão gela e eu já não consigo me concentrar em mais nada.
É muita "querência". Muito bem querer... muito sentimento. Sentimentos que não cabem em mim. O coração dispara e eu percebo o motivo de minha taquicardia. Não, de fato, nada é clínico. O coração, enquanto músculo, está em pleno funcionamento. O coração, enquanto sentimento, está devastado por um querer sem tamanho, sem sentido.
Ouvir a voz que me perturba, que me tira o ar, o foco. Uma voz irritantemente linda. Uma voz irritantemente apaixonante. Aos meus ouvidos tua voz soa como música. Músicas que me fazem chorar... músicas que já não me fazem feliz...

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Uma Igreja sem pastor

Eu nem havia nascido quando ele chegou à Paróquia da Mustardinna. O ano era 1975. Padre Jaime encontrou uma pequena capela dedicada ao Bom Jesus Atado. E aos poucos, com muito esforço, anos depois a Igreja Matriz foi construída. Lembro-me bem, durante o período que cursei Teologia, na Unicap, em 2004, o quanto me orgulhava de pertencer a uma comunidade referência em liturgia, em espaço litúrgico. Em meu TCC, já no curso de Jornalismo, eu precisava mostrar para todos o quanto Pe. Jaime e a comunidade tinham sido importantes para minha formação pessoal profissional. Durante a pesquisa para a elaboração do projeto lembro dele contando como foi a formação do ministério de Dança Litúrgica. "O primeiro motivo era litúrgico. Tinha como objetivo promover a interação com a cultura do povo que celebra. A gente sabe que, no Brasil, a cultura negra foi, de certa maneira, esmagada; então a gente quis trabalhar a dignidade, a autoestima das pessoas da comunidade. A maior parte de população o bairro tem nítida influência cultural de herança africana e cada vez mais assumida pelos jovens. Mas é levada em conta toda a herança cultural da região”. Houve um estudo, um preparo e um trabalho com todo cuidado, sempre levando em consideração a comunidade. Hoje, 35 anos depois, eu entro na Igreja e vejo que os sacerdotes que sucederam o padre Jaime não têm o menor respeito pela nossa história. Com sua vaidade, modificam a estrutura física e litúrgica da comunidade, sem procurar entender, estudar. Ministérios são desfeitos. Grupos encerrados. Celebrações que seguem unicamente a vontade do padre que administra a paróquia. Onde estão os mais de 150 jovens que se crismavam todos os anos!? Onde estão as crianças da catequese? Onde estão nossos grupos de estudo litúrgico e bíblico? Onde está o respeito por aqueles que construíram a história daquele lugar? A Casa de Deus não deveria ser A Casa do Povo!.? Hoje a Igreja se transformou na Casa do padre. E lá ele faz o que quer. E nós, filhos, ficamos cada dia mais órfãos...sem pastor.

domingo, 12 de outubro de 2014

Cartas Marcadas

Minha vida tão cheia de cartas marcadas me fazem pensar nos vazios deixados por situações esperadas. Não há emoção. Não há beijos roubados e olhares cruzados ao acaso. É tudo tão igual. Sozinha, dentro de um taxi, percebo o quanto previsível eu sou. Sem nada a perder, não me arrisco e assim termino sem também nada ganhar. Numa madrugada, após uma noite tão esperada, nada me espera. As ruas vazias. Os silêncios. O nó na garganta de quem se sufoca justamente por falar demais, ou silenciar quando deveria falar. Já sei o que me espera. Já sei onde terminarei a noite. Já sei demais - ainda que não concorde.... Eu sinto falta dos improvisos da vida.

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

O Sagrado de cada um

É como viajar e, ao voltar, encontrar um estranho em seu lar. Um invasor. Uma nova "decoração". Uma invasão ao território. O meu Sagrado foi invadido. O Sagrado do meu coração foi devastado pela vaidade de tantos pequenos "representantes" que chegaram sem ser convidados e jamais conhecerão a minha essência, por isso entra e machuca, corrompe, destrói o que foi construído em décadas. Vidas, histórias... Tradição... Tudo se perdeu em quem chega sem pedir licença..

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

(Des)coração

E eu que sempre fui tão segura do que quero, do que penso, me vejo desconcertada, desconcentrada, desesperada. Meu coração bate descompassado, nos desencontros da vida.

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Silêncio

O silêncio. Sempre ele. Ele que fala. Ele que me diz a todo momento que tudo não passou de um mal entendido. Ele que diz que foi tudo um grande engano.
O silêncio que grita: ele não te quer. Nunca te quis. O silêncio que fala, esquece e deixa tudo como está... O silêncio que incomoda. O silêncio que perturba. O silêncio que corrompe. O silêncio que agride. O silêncio, sempre o silêncio que fala.

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Saudade e mudança

É interessante perceber que quando não estamos bem, tentamos desesperadamente parecer estar.
Dai pinta-se o cabelo, corta-se, pintam-se as unhas, maquiagem...aff... Todos os artifícios que o mundo moderno oferece.
Passei a vida toda prometendo entrar na academia, mudar o estilo, ser diferente.
De repente descubro que quando volto pra casa, continuo a mesma. O cabelo super da moda, um franjão, um vermelhão...Unhas? Vermelho pecado. Maquiagem impecável. Uma hora de esteira, mais exercícios... Tudo isso pra que?
Pra continuar sendo a mesma.
O que eu mais gostaria de mudar continua do mesmo jeito. A mesma dor, a mesma angústia, a mesma saudade.
A mesma indignação.
A razão diz: Ele não tá se importando. Ele tá prosseguindo a vida, conhecendo pessoas, saindo, dançando, bebendo... e vc? O que faz?
E a resposta é a mesma: Eu tô tentando usar uma máscara. 
Uma mascara que esconda a dor que sinto por saber o quão insignificante fui.
Uma máscara para esconder que tô bem pra não ver que as pessoas que realmente me amam sofram.
Uma máscara que não consigo esconder mais. Que não consigo usar mais. E que desabo na frente de um PC e nas minhas noites ao travesseiro.
O coração é bobo. Sabe que a razão tá certa. Que ele não está nem aí, mas insiste em doer, em sofrer, em chorar, em mandar mensagens e e-mails que nunca são respondidos.
A razão de tudo isso?
Não sei.
A razão de termos chegado a este ponto?
Não sei.
Não fizemos nada. Não nos magoamos. Não nos traímos. Não nos agredimos. Só estávamos bem.
Esse é o motivo. Tudo estava bom demais para ser real. 
E a vida é feita de mentiras.
Estou sem rumo. 
A cada manhã me entristeço por saber que será mais um dia sem você.
A cada dia que acordo decepcionada por ter Acordado pra este mundo vão.

E a cada mudança de visual, eu percebo que só estou perdendo tempo,
por que o mais importante eu não vou conseguir mudar: Meu coração!

Sei que te amarei cada dia mais....

22 de julho de 2009

Quem sou?...

Uma teóloga sem religião,que muitas vezes encontra-se até mesmo descrente diante deste mundo de provas e espiações.

Uma Guia de Turismo esporadicamente, que até gosta do que faz, mas que não descobriu ainda sua vocação.

Uma futura jornalista (com Diploma), que tentará expressar em palavras a visão do mundo.Sou uma pessoa que busca ser forte, tenta mostrar uma fortaleza, mas que por dentro tem um coração que pulsa de tanto amor.

As vezes uma menininha que pinta as unhas de rosa bebê, que gosta de confeitos, doces, balas, cartas românticas, mensagens de texto inesperadas, declarações de amor.Que reluta contra tudo isso, e que tenta, inutilmente, demonstrar que não tá "nem aí" pra lembranças de uma fogueira queimando em pleno dia dos namorados.Uma mulher romântica, apaixonada, que arde de desejos... Que acredita no amor eterno, mesmo mentindo pra si mesma.

As vezes sou a mulher, que "joga o cabelo" , pinta as unhas de vermelho paixão... aquela que quer resolver tudo sozinha, que quer aprender a dirigir, que quer pagar a conta, que quer comprar lingerie novas pra ninguém notar.Acima de tudo, eu sou alguém que acredita que VOCÊ é verdadeiro, por mais que te chame de frio, insensível, máquina.

Que erra tentando acertar, e o pior, erra sempre e te machuca.Sou uma pessoa que chora na frente do PC, escrevendo coisas que você nunca vai ler.As pessoas entram no orkut pra olhar fotos, e não declarações.

Quem sou?Um misto de pessoas: Uma menininha, Uma mulher, Impulsiva, Ciumenta, Lutadora, Chorona, Frágil, Sensível, Egoísta, Infantil, Brava, Sorridente, Simpática, Doce...Sou tudo isso e muito mais.

Mas sou a mulher que quis te amar por toda a vida.E que quis te fazer um homem feliz, realizado.Que quis crescer com vc. Que só quis te fazer bem e cada dia te machucou ainda mais.Eu Sou a Tua MARIA.E eu AINDA não consigo me descrever SEM VOCÊ. Maria.




30 de julho de 2009

Demonstrar Sentimento é Errado?

Atualmente vivemos num mundo tão frio,
que as pessoas que sofrem por amor estão cada dia mais obrigadas a viver uma mentira.
As cobranças do mundo, estão transformando pessoas sensíveis em pessoas frias.
Pra ser valorizado e reconhecido como alguém,

você tem que estar a todo momento fingindo ser uma pessoa sem sentimentos, vazia, vulgar... Tornou-se vergonhoso demonstrar carinho, demonstrar amor.
As pessoas criticam, cobram uma aparente fortaleza que não existe.
Como diziam os mais velhos a pessoa tem que "engolir o choro",
que muitas vezes insistem em sair.

Concordo que ninguém é obrigado a aguentar a sua cara de coitadinho,
mas dai cobrar uma postura diferente do que fala o seu coraçao é bastante complicado.
Dizer a um coração que ama: "Ignore!"
é super fácil.
Dizer a si própria que está cansada de sofrer e que não quer mais isso, também.
Difícil é pôr em prática.

Ninguém escolhe o sofrimento como forma de vida.

Ninguém escolhe amar uma pessoa que simplesmente não te ama.

Acontece.
E se aconteceu,
a pessoa que está sofrendo as dores de amor,

tem mais é que chorar mesmo.
Tem que curtir o momento de dor.
A dor é aprendizado.
Tem que parar com essa história de que: "Você tem que se mostrar superior."

Nada disso:
Você tem que mostrar quem você é.
Se tá doendo, chora.
Um dia essa lágrima vai passar.
Um dia essa dor vai passar.
Mas não diga a ninguém que está sofrendo:
Você tem que ser forte, pq só quem tá sentindo a dor é que sabe até onde suporta.
Deus não dá carga maior do que a que sejamos capazes de carregar,
então precisamos abolir essa ideia de que,
demonstrar sentimento é ser inferior, é fraqueza, é sentimentalismo bobo.

Demonstrar sentimento é um ato de coragem.

As pessoas vivem usando máscaras para não mostrarem justamente o que temos de melhor: O coração.
Tudo isso com medo de ser ridicularizado.

Com medo de ser rejeitado.
As pessoas mostram o orgulho, a falsa superioridade...
menos o sentimento de bondade.
Mostre o seu coração, afinal de contas,
quem importa mesmo é quem já o conhece a fundo:
Deus!

"Amigo é aquele que te conhece a fundo e mesmo assim te ama!"

Se seus amigos te julgam fraca,
por demonstrar seus sentimentos,
é porque,
certamente não merece a sua amizade.

31 de agosto de 2009

Medo da exposição

Certa pessoa veio me perguntar se eu não sentia medo de me arrepender ao me expor,
quando demonstro sentimentos, quando o "amor acabar".
Primeiramente, não creio em Amor com Fim.
Você pode até deixar de sofrer por não estar com aquela pessoa.
Pode sublimar esse sentimento pra algo mais fraterno,
entretanto, pra mim, "Amor que Se Acaba é porque nunca existiu".
Como tenho plena convicção do amor que sinto,
não tenho medo de me arrepender quando o "amor acabar",
simplesmente porque amarei sempre.
Como disse há dias atrás,
para uns tornou-se vergonhoso demonstrar sentimento.
Parece fraqueza chorar por amor,
mas eu levo a uma reflexão do Pe. Fábio de Melo:

"Nos dias de hoje, cada vez mais, acentua-se a necessidade de ser forte. Mas não há uma fórmula mágica que nos faça chegar à força sem que antes tenhamos provado a fraqueza."

Por quanto tempo eu provarei da fraqueza, pra ser forte, eu não sei,
mas por enquanto não estou preocupada com o que as pessoas pensam ao me verem chorar,
porque, aqueles que me amam, meus amigos, meus pais, sabem o porque da minha dor e me respeitam.
Aqueles que se vangloriam pelo meu sofrimento, que não gostam de mim, que se alegram com meu sentimento, eu sinto pena. Pois só ficam assim, por desconhecerem o amor.
Enfim,
Não preciso me envergonhar de chorar por amor, de demonstrar carinho, porque é neste momento em que realmente estou mostrando quem sou.
Enquanto muitos, por orgulho ou medo de ser recriminado, preferem se esconder por trás de máscaras, mas que não conseguem colocar a cabeça no travesseiro e ter a consciência tranquila,
vivendo a incerteza de não saber se as pessoas gostam de você ou se gostam da mascara que você usa.
Eu não preciso de máscaras.
Mais uma vez usarei uma citação de Pe. Fábio de Melo que está na minha definição:

Durante muito tempo eu fiquei preocupado com o que os outros achavam ao meu respeito. Mas hoje, o que os outros acham de mim muito pouco me importa (a não ser que sejam pessoas que me amam), porque a minha salvação não depende do que os outros acham de mim, mas do que Deus sabe ao meu respeito.

8 de setembro de 2009

Sobre a paixão

Muitos dizem que é muito bom estar apaixonado...
Não concordo com isso.
Não vejo graça em ter o coração acelerado, em ficar esperando o telefone tocar, em ficar ansiosa, ficar com as mãos trêmulas, em sentir saudades... em não dormir, dormir e sonhar... enfim, não quero mais estar apaixonada.
Estar apaixonado é sentir calafrios. É sentir ciúmes. É sentir medo. É ter dor de estômago.
É querer ver o outro todos os dias e por todas as horas.
É desejar abraçar. É querer estar junto.
É sentir vontade de chorar sem motivos ( e com motivos também).
É chorar mesmo. É acordar de madrugada pensando na pessoa.
É amanhecer desejando um telefonema.
É dormir sozinha, como se a cama tivesse duplicado o tamanho de tão espaçosa e de tão solitária que se está.
É esquecer de estudar.
É querer eternas férias ao lado da pessoa.
É perder a vontade de sair sozinha.
É viver a maior felicidade com o simples gesto da pessoa...
Tudo o que eu quero neste momento é você aqui.

12 de novembro de 2009

O preço da sinceridade

Os romanos fabricavam certos vasos de uma cera especial.
Essa cera era, às vezes, tão pura e perfeita que os vasos se tornavam transparentes.
Em alguns casos, chegava-se a se distinguir um objeto um colar, uma pulseira ou um dado - que estivesse colocado no interior do vaso.
Para o vaso, assim fino e límpido, dizia o romano vaidoso:
- Como é lindo... parece até que não tem cera!
"Sine-cera" queria dizer: "sem cera" uma qualidade de vaso perfeito, finíssimo, delicado, que deixava ver através de suas paredes. Da antiga cerâmica romana, o vocábulo passou a ter um significado muito mais elevado.
Sincero é aquele que é franco, leal, verdadeiro que não oculta, que não usa disfarces, malícia ou dissimulações.

O sincero, à semelhança do vaso, deixa ver, através de suas palavras, os nobres sentimentos de seu coração."

Atualmente, tenho me perguntado se realmente vale a pena ser "Sine-cera".

O mundo anda tão cheio de máscaras que ser sincero não tem sido uma grande virtude.

As vezes que expressei o que realmente sinto,

as vezes que demonstrei meus desejos mais ocultos,

recebi indiferença.

As pessoas acostumam-se a viver na superficialidade.

Dizer o real interesse,

dizer o quanto gosta de alguém o faz, no mínimo, se afastar.

Não falo de demonstração "melosa", romântica.

Falo apenas de dizer o que pensa sem medo.

Vivo duas experiências semelhantes,

a diferença é que numa eu estava "sine-cera" e na outra eu uso uma máscara do tamanho do mundo. Adivinhem só quem está se saindo como "a pessoa perfeita"?

Exatamente: A máscara.

Quando fui capaz de dizer que amo, que quero estar perto,

que sinto ciumes, que sinto medo,

que gostaria de viver ao lado dessa pessoa,

só consegui fazer com que ela sumisse.

Mas em outra situação estou sendo fria,

fingindo uma naturalidade que não existe.

Sabe aquela música de Cazuza:

"Pra que mentir, fingir que perdoou,

tentar ficar amigos sem rancor?...

A emoção acabou,

que coincidência é o amor.

A nossa música nunca mais tocou..."

É por aí...

Quanto mais finjo que tudo está bem,

mais consigo manter por perto as pessoas que amo
(mas que talvez não me ame tanto assim, porque só me aceita por causa da máscara).

Enfim, qual o preço da sinceridade?

A solidão!

Ainda assim eu prefiro a "verdade tristonha,

a ficar com a mentira risonha".

15 de dezembro de 2009

Sentimentos

Gostar é uma das coisas mais difíceis da vida.
A gente idealiza a pessoa e quer ser como a pessoa gostaria que fôssemos, ainda que, dentro de nós tenhamos a consciência de que nada será diferente.
A pessoa não gostará de você se você gostar do PT ou cachear o cabelo.
A pessoa não gostará de você se você conhecer todos os seus gostos.
A pessoa não gostará de você se você tentar ser melhor do que você é.
A pessoa, certamente, irá gostar de alguém que é o oposto do que antes teria como a pessoa ideal, justamente por essa pessoa não ser igual.
Complicado isso!
Conquistar alguém que te olha como uma amiga é uma das coisas mais difíceis do Universo.
Se por um lado você sabe que o seu melhor amigo é a pessoa que mais te fará feliz, porque a simples presença dele já faz, você sente medo de se aproximar e dizer que "aquele eu te amo" tem uma mensagem maior do que simplesmente dizer que você é um amigão.
No fundo, esse amigo sabe disso tudo. Mas gosta tanto de você como amiga que prefere continuar fingindo...

 1 de novembro de 2010

Mundo Virtual x Mundo Real

Mundo Virtual x Mundo Real
As redes sociais estão recebendo, cada vez mais, usuários. Quem não tem um perfil na rede é rotulado como antissocial, desatualizado e, até mesmo, desinformado. Mas, com tudo isso, uma questão deve ser refletida: Até que ponto a rede nos aproxima das pessoas?
Se por um lado a "virtualização" nos faz reencontrar pessoas, rever parentes, localizar amigos distante e conhecer pessoas de todo o mundo, esta facilidade está afastando, dia após dia, as relações reais.
Os amigos preferem saber a vida dos amigos sendo um seguidor, um contato.Conhece tudo o que o outro está fazendo, desde a hora que acorda até o momento em que vai dormir. Os 'twitter e Facebook' estão aí para isto: Manter-nos informados!
Através das redes sociais é possível saber se a pessoa está feliz, triste, irritado, apaixonado, solteiro, casado, paquerando, saindo e tantas outras confissões que são postadas a cada segundo que passa. Entretanto, quando estamos ao lado daqueles que estão presentes na nossa vida virtual, somos incapazes de perceber sua inquietação.
O hábito de olhar nos olhos, tocar, sentir, ficou perdido, trocado pela frieza do monitor. Beijos foram substituídos por 'emoticons'. Abraços, por abreviações.
Estamos com sede de realidade!
Enquanto a rede aproxima amigos distantes, afasta amigos próximos.
Conhece-se mais o outro por seu subnick do que pelo seu olhar.
A rede tem o poder de nos deixar expostos, mas estamos completamente cegos para enxergar o sentimento real do outro. Perdemos a sensibilidade. Estamos tão pertos e tão distantes.
Chega de palavras escritas!! Vamos falar e ouvir!
Recordo-me como éramos felizes antes do mundo virtual, mas agora parece até impossível viver sem ele.
O telefone era utilizado para conversar, não pra enviar torpedos.
Nos encontrávamos mais. Não esperávamos nenhuma janelinha 'subir' no messenger.
Esperávamos da janela...o outro passar. Esperávamos que o acaso acontecesse. Havia mistério.
Agora é tudo tão óbvio. Basta uma rede sem fio, um celular com pacote de dados e sabemos até o que ''aquela pessoa'' fez no minuto seguinte ou se ela está no local que desejamos.
Ansiedade na espera do encontro pra quê? Vamos tuitar!! Esse GPS humano descreve nossos passos.
Não existe mais pessoa certa no momento certo, nós o criamos. A surpresa acabou!
Tudo está milimetricamente planejado.

- Ei, olha pra mim! Estou do teu lado, sou de carne e osso.
Basta de contatos. Eu quero amigos!

17 de novembro de 2010

A semana do NÃO

Talvez ninguém nunca entenda o que vivi nos últimos sete dias. Essa semana poderia, tranquilamente, ser chamada de "Semana do Não".
Não posso beber. Não posso fumar. Não posso sequer estar ao lado de quem está fumando. Não sou eu a mulher que você ama. Não posso sair. Não posso estar em esquinas. Não sou a amiga ideal, aliás, Não sou amiga. Não posso estar em encruzilhada. Não posso ter teus beijos. Não posso abraçar você. Não sou a "neguinha" que você deseja. Não sou a pessoa mais simpática. Não posso ir à Igreja. Não posso fazer amor. Não posso estar em festas. Não posso ir à shows. Não posso estar na rua nas 'horas grandes'. Não posso iniciar no novo estágio. Não posso chorar. Não consigo sorrir. Não quis saber quem é a dona do teu coração. Não posso te ligar e dizer que te amo. Não quis saber por quem você está apaixonado. Não posso estar ao lado dos que pensei que fossem meus amigos. Não posso estar em cemitérios. Não posso entrar em hospitais. Não tenho amigos na faculdade. Não sou agradável a todos. Não tenho grupo pra fazer trabalho. Não consigo esconder que estou sofrendo a tua ausência. Não posso mais fingir. Não sou quinto período. Não posso faltar aula. Não falei com você. Não consigo me concentrar no trabalho. Não recebi teus telefonemas. Não consigo acreditar que os conselhos que recebo dos 'teus' são verdadeiros. Não tenho um cupido. Não respeitas meus sentimentos. Não posso... Não consigo... Não sou... Não tenho você.
Nunca vivi uma semana tão cheia de "nãos" e de tantas restrições.

Vivi todos esses "Não" em apenas 07 dias. Mas de todos os "nãos" o que mais me doeu foi saber que NÃO POSSO TER VOCÊ. E que, se não posso ter você, NÃO sei o que fazer de mim...

27 de novembro de 2010

Silêncio Constragedor

De repente tudo parou num silêncio absoluto. Silêncio que me fazia ouvir cada gesto teu, mesmo estando de costas pra você. O silêncio que não era interrompido nem mesmo quando um talher batia no outro.
De repente o silêncio invadiu o ambiente. Não era aquele silêncio que precede o beijo. Era o silêncio de quem tinha medo de se magoar. Medo de ouvir. Daí silenciava.

Era o não querer ouvir a resposta que me abalaria ainda mais. Era o não ouvir o que já sabia.
Eu não falava pra não ouvir e você? Acho que você não tinha muito o que falar.
Mas aquele silêncio era diferente. Era doído. Doía o não ouvir, não ter, não ver.
De costas pra você eu até queria te ouvir, mas ouvir o que?
O fingir que nada escrevi? O fingir que nada aconteceu?
Eu só sentia os teus movimentos, entre um prato e outro.
Nada consegui dizer e os pratos e talheres pareciam que não acabariam nunca.
E a casa, cheia de gente, parecia ter parado para ouvir...

9 de dezembro de 2010

Medos

Passei a vida tentando corrigir os erros que cometi na minha ânsia de acertar. (Clarice Lispector). E assim talvez, eu esteja cometendo mais um erro. E talvez para muitos sejam um erro. A fase será de desafios, e eu tenho medo, sim. Não sei o que será amanhã - ninguém sabe - mas sei que quero tentar. Muitos não irão me entender e irão me julgar e dizer que este foi um ato de covardia, mas é preciso CORAGEM, muita coragem para deixar todo o conhecido (ainda que ruim), pelo desconhecido.
O desconhecido me assusta. Assusta a todos.
O desconhecido me causa medo, mas eu não vou desanimar. Não quero desanimar.
Viver sempre foi um grande desafio. Este será apenas mais um. Mais um tempo de aprendizado. Mais um tempo de novas conquistas.
O medo de avançar é natural. Como dizia Clarice "Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. A gente nunca sabe qual defeito está sustentando nosso prédio inteiro. Assim como as crianças do filme Nascidos nos bordéis, eu tenho medo do futuro melhor.
Prefiro a "podridão" em que vivo, mas vou tentar avançar para águas mais profundas,
quem sabe assim encontrarei mais 'peixes'?
Tá feito. Vou sentir  falta de alguns. Mas estes, eu sei, que estarão comigo onde quer que eu esteja. Estes irão dividir as redações ou assessorias comigo. Estes irão brilhar.
E por aqui fico na minha incerteza. Mas na minha esperança...

18 de dezembro de 2010

O Balmasqué perdeu o Brilho

Lustres, luzes, fantasias... Até mesmo Torre Eiffel e o Arco do Triunfo estavam lá, mas faltava o brilho.
Já não se veem mulheres com vestidos longos e máscaras luxuosas que, até dois anos atrás, ainda desfilavam entre as mesas e camarotes do Bal Masqué. Sim, em apenas dois anos a indústria cultural tomou conta da nossa cultura. O tradicional Baile de Máscaras deu lugar a micareta.
Onde estariam nossos artistas enquanto a Bahia invadia nosso Carnaval? Será que estavam cantando nas terras soteropolitanas? Penso que não. Grandes nomes como André Rio, Nena Queiroga, Almir Rouche e Claudionor Germano sequer foram lembrados nas canções aqui, na nossa terra, imagine lá, onde Pernambuco nem existe.
Não foi criado um formato novo. O baile foi extinto. E o pior é que muita gente gosta desse “pseudoglamour” que foi incorporado a ele.
A noite poderia ser perfeita, entretanto esqueceram que aqui é a terra do frevo e até a orquestra, famosa por tocar frevo, só tocou axé. Em quase oito horas de festa, podem-se contar as vezes em que o nosso ritmo foi lembrado.
Pernambuco é multicultural sem precisar ser invadido por outras culturas, afinal onde se consegue unir ritmos tão distintos quanto o frevo, o maracatu, o caboclinho, o coco e a ciranda?
Lamentavelmente isso foi esquecido. E a consequência é que a nova geração esquece também.

21 de fevereiro de 2011

Essência

Cometi alguns erros na vida. Incontáveis erros. Todos na tentativa de acertar ou de 'aceitar'.
Menti tão bem que acabei por acreditar. Sonhos, realidades, já nem sei ao certo quais são meus.
Quantas vezes acreditei gostar de algo apenas para não estar só.
Hoje, quando o medíocre já não faz mais parte da minha vida, me vejo só.
"Gosto de teatro", mas nem tanto, acho que gosto mais de quem as interpreta.
"Amo óperas", mas só as cantadas pela pessoa que amei.
"Amo Legião Urbana". Sim, acho que é algo real, talvez por Renato Russo expressar os meus sentimentos em sua canção.
"Abraço a causa dos excluídos, das minorias".(acho que a minoria hoje são pessoas como eu). Até participo de manifestações públicas, mas vejo muitos exageros para quem apenas está 'exigindo seus direitos'.
São tantas coisas que nem sei. Hum...
"Pagode"! Pagode eu gosto, mas é feio gostar, né? Não é tão chique como dizer: Ah, eu gosto de Óperas...Pagode é tão comum. Mas eu gosto. Pena que as pessoas que frequentavam comigo hj, talvez, ache que é chique gostar de MPB, ou goste mesmo, não sei.
"Forró" é ótimo, mas só presta pra dançar agarradinho e com um cangote cheiroso, mas como é difícil encontrar isso. rsrsrs
"Gosto da verdadeira Música Popular Brasileira". Isso é uma verdade, mas como não consigo ir aos shows de Vinicius de Morais, Tom Jobim, acho que é um estilo musical difícil de encontrar companhias, talvez por isso nunca tenha assumido.
"Ah, Carnaval", esse me encanta. Amo mesmo. Bailes, festas, fantasias. Talvez a oportunidade de usar uma máscara, sem ter que fingir que não uso. Dá pra entender? A festa em que vivemos uma fantasia.
"Sou Católica!" Acho que sou mais admiradora de Pe. Fábio do que católica. Não aceito alguns conceitos da Igreja que deveria ser Santa.
"Sou candomblecista." Acho lindo, mas tenho minhas angústias e dúvidas de que esse seja o caminho certo. É complicado quando você começa a frequentar por obrigação e não por amor. Talvez tenha sido mais uma forma de ser aceita que eu encontrei.
"Sou espírita". Essa eu acho linda. Teria orgulho de repetir se eu conseguisse vivenciar todos os ensinamentos deixados por Cristo e tão bem esclarecidos no Espiritismo. Chico Xavier, exemplo de bondade, humildade, simplicidade. Não sei como alguém se atreve a falar mal de um verdadeiro santo na Terra. Muito mais santo do que os 'canonizados' escolhido a dedo por uns poucos 'doutores'.
Atualmente não estou apaixonada. Não sei nem o que é isso. Lembro, vagamente, que a paixão nos deixa bobo. Coração acelerado. Frio na barriga. Não sinto mais isso por ninguém, por isso, uma certeza: Não estou apaixonadaaaaaaa. Isso é bom? Acho que não. Passamos a ser racionais demais e a razão sempre nos deixa meio frios, calculistas.
Sou uma quase jornalista, mas já fui uma quase teóloga, uma quase guia de turismo, uma quase contabilista, uma quase... Até quando serei quase alguma coisa eu não sei, mas acho que tô começando bem. Estou conseguindo dizer não gosto, não quero, não vou, mesmo que isso represente ficar mais só.
Se de repente eu olhar para o lado e ver que não tem ninguém, não vou me sentir mal por ter sido eu mesma. Acho que até vou me sentir bem por saber que essas pessoas não gostavam de mim, mas gostavam da minha submissão de dizer sempre SIM.
É isso, esse meu diário online é um perigo. A partir daqui muitos podem começar a ver quem sou eu, e nem sempre irei agradar a todos. Meu maior Ídolo não agradou, por que eu seria uma exceção?
Não se assuste se eu mudar daqui pra frente, pois na verdade eu não mudei, eu estarei apenas sendo eu mesma, na essência.

17 de junho de 2011

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Encontro Especial

Estou me sentindo tão bem. De repente me lembrei o motivo de tamanha alegria. Tive um encontro super especial hoje com a única pessoa que jamais sairá da minha vida.
Começou assim...

Saí mais tarde do trabalho e logo que cheguei a minha parada percebi que havia perdido um ônibus.
Decidi que seria melhor ir para a outra parada para tentar pegar um outro que faz um percurso diferente.
Ao me dirigi a parada, me vi 'tentada' a entrar na Igreja de Nossa Senhora da Boa Viagem.
Entrei e havia apenas duas senhoras conversando tão entretidas que nem perceberam minha presença.
Me vi sozinha diante do altar. Ajoelhei e me entreguei ao pés do Sacrário.
Não contive as lágrimas.
Chorei.
Entreguei naquele momento todas as dores da minha alma.
E, ao contrário do que em outros locais me oferecem, eu não obtive respostas faladas, nem promessas de uma felicidade vindoura.
Lá eu não recebi respostas às minhas indagações.
Não recebi soluções para meus problemas.
Mas ao sair de lá, eu recebi o conforto que eu estava precisando.
O meu coração estava renovado por uma força inexplicável e inenarrável.
Sinto-me leve.
Talvez a felicidade não tenha chegado a minha vida.
Mas a alegria de saber que Jesus existe e que está presente na minha vida, ainda que eu não o reconheça, me  deixa com uma tranquilidade que não sei descrever.


 1 de setembro de 2011

Eu queria tanto...

...encontrar você.
Eu estava quietinha, achei que nunca mais te veria. O coração doia demais.
Você voltou. Preencheu todos os espaços que a sua ausência deixou e me envolveu com uma nova alegria de viver.
Eu me entreguei, me envolvi em teus braços e beijos e me deixei ficar lá.
Você é meu sonho e minha realidade.
Meu amor, meu desejo.
Quem quero por toda a vida.
Mas assim como a areia do mar, não consigo te segurar nas mãos.
Se te solto, você vai embora. Se te prendo, você escorrega das mãos e em mim resta a dor da saudade e da incerteza.
Ter sua amizade? Missão difícil.
Olhar você, ouvir você, tudo me dói demais quando o que mais quero é tomar você nos braços e te beijar sempre um pouco mais.
Chamar de amigo o homem que amo talvez seja uma das dores mais doídas que o coração pode sentir.
Egoísmo? talvez...Mas, muito mais do que egoísmo, isso se chama amor.

 15 de setembro de 2011

Perfeição

Eu quis ser a filha perfeita e sou cobrada a todo tempo.
Eu tentei ser a namorada ideal, mas os conceitos estão mudando.
Ser perfeito é ser fingido.
É mentir, é sorrir mesmo sem vontade, é ser amiga.
Ter com restrições. Ter companhia, mas para isso ter que suportar grosserias.
Para estar ao lado de pessoas, desde que seja na condição imposta por elas.
Só tenho duas escolhas na vida. Ser eu mesma sozinha ou ser fingida ao lado de pessoas que também fingem que gostam de mim.
Escolhi a primeira opção.
Não sei se fiz uma boa escolha porque hoje eu estou sozinha...e infeliz.
É ver o sol lá fora e não ter com quem ir a praia.
É ver os shows acontecendo e não ter quem me acompanhe.
Ou enfrentar tudo, sair e ficar conversando com a tela fria de um computador.
As pessoas gostam disso. Preferem teclados a abraços.
Preferem avatar a sorriso.
Pela internet é muito fácil ser legal.
Não existe mal hálito, nem bafo de cigarro ou bebida.
Não existe nem mal humor, porque se a pessoa te disser algo que você não gosta, basta um "emotion" com um "sorriso" e a pessoa nem percebe.
É, realmente o mundo virtual é muito atraente. Não tem atrasos, nem esperas.
E se uma mensagem demora a ser respondida é culpa do sistema.
Pela máquina é fácil ser pessoa.
Posso ser magra, sorridente e feliz.
É fácil ser fiel, afinal, o que os olhos não veem o coração não sente.
É fácil ser amiga, afinal, não existe o olho no olho, o toque, o cheiro.
É fácil ter...
Como sou real, com defeitos e limitações, mal humores e ciúmes, vivo aqui...
sozinha.

1 de outubro de 2011

Descobri aos 30

Há cinco anos atrás recebi um livro de presente chamado "A crise dos 25".
Concordei com algumas partes, outras não, mas descobri que, melhor do que a fase dos 25, é chegar aos 30.
Briquei muito sobre isso. Agora eu sou uma 'trintona', mas, embora eu esteja nos meus recém-completados 30 anos, já consegui descobrir muitas coisas.
Descobri aos 30 que, tempo de amizade não é FGTS. Você 'ser amiga' de alguém há mais de 15 anos não significa que existe um fundo de garantia que a amizade nunca mais acabar. Não é porque nos conhecemos antes da minha primeira menstruação, que continuaremos a ser amigas até a menopausa. Amizade não é como vinho que 'quanto mais velho melhor', pelo contrário, amigo que acha que você é funcionário de uma empresa do qual ele gerencia a sua vida, na verdade nunca o foi. É só o desejo de possuir. Desejo de dominar para poder dizer aos novos amigos que tem uma "amiga de infância". Isso deve fazer bem ao ego, superego e sei lá o que mais.
Descobri aos 30 que não adianta manter o homem que você ama ao seu lado, se na verdade ele quer está ao lado de outra (ainda que esta outra seja só um estereótipo, que talvez nem exista). Amor nenhum vale isso. Descobri que se mutilar, que bancar a amiga só pela companhia do ser amado pode ser uma prova de amor...a ele, mas uma amputação do seu amor próprio. Você pode continuar amando-o e esperando-o, mas só se ele vier por inteiro. Amor pela metade, amor onde só um ama, não vale a pena. Aos 30 anos posso dizer que AMO e amo muito, mas eu preciso me amar muito mais. Amor que dá náusea no meio da semana, sem ter comido ou bebido nada que pudesse fazer mal. Amor que faz adoecer. Amor nos deixa prostrado, não é um 'amor bom'. É, no mínimo, um amor adoecido, que esqueceu que para se amar a alguém é preciso se amar primeiro.
Descobri aos 30 que o momento de se viver é agora. Que não adianta esperar porque simplesmente o telefone não vai tocar, e que você pode enviar um milhão de torpedos e não conseguirá dizer em 140 caracteres o que realmente sente, então, pra que tentar?
Descobri aos 30 que não nasci agarrado com ninguém (não sou gêmea siamesa) para depender das pessoas para sair. Já tenho idade suficiente para ir e vir... ainda que para isso precise ir sozinha.
Descobri aos 30 que ficar sozinho é bom (não todo o tempo), mas a solidão te livra de usar uma máscara que não serve para nada.
Descobri aos 30 que você precisa estar em sintonia com Deus, mas que a religião é totalmente desnecessária.
Se Deus não te ouvir no silêncio do seu quarto também não ouvirá no meio de pessoas egoístas que no fundo estão ali só pensando em si próprias. Lembro-me que em uma das passagens bíblicas Jesus disse: "Onde dois ou mais estiverem reunidos no meu nome, eu ali estarei", mas quem me garante que uma Igreja lotada (ou qualquer outra instituição religiosa) está ali funcionando como Jesus queria que estivesse? Quem me garante que eles estão orando pelo mesmo Deus ou pelo bem da humanidade. Podem estar todos reunidos, mas como na Torre de Babel.
Descobri aos 30 que por mais perfeita que eu tenha tentando ser ao logo dos anos, meus pais não vão me admirar mais por causa disso. Perfeição é um estado de espírito onde cada um considera perfeito aquilo que lhe convém. Hoje posso ser a boa filha e amanhã, simplesmente porque não cheguei sorrindo, ser a ovelha negra da família.
Descobri aos 30 que não adianta emagrecer pelos outros. Você não bebe, não fuma, não tem namorado... ainda querem te impedir de realizar o desejo de comer? Dietas servem para que mesmo? Para ficar boazuda e aquele 'boyzinho' te notar, mas te trocar pela primeira pessoa cheia de vícios?
Descobri que não vale a pena mudar o visual se a alma não mudou.
Descobri que um belo corte de cabelo até levanta tua auto-estima, mas que não adianta esperar o único elogio que você queria ouvir porque simplesmente essa pessoa não existe.
Aos 30 anos descobri que não vale a pena lutar pelo amor de alguém.
Se esse alguém tiver de estar na sua vida, ele vem, mesmo que para isso demore mais 30 anos...

11 de outubro de 2011

Ser Escape

Como é triste a vida de um escape. Só é utilizado quando o pneu (original) falha.
Ninguém se importa se ele está triste, feliz ou se sentindo sozinho. Só importa que ele esteja 'em bom estado' de conservação para ser usado quando solicitado.
Ninguém usa escape toda a vida. Utiliza, no máximo, até a próxima borracharia, quando o original é consertado e o escape volta para o fundo da mala e lá permanece.
A vida é assim.
As pessoas te tratam como espape e você permite achando que algum dia vai ser tomar 'prioridade'.
Isso nunca vai acontecer. As pessoas só vão realmente te procurar quando não tiverem opção,
seja pela distância física que a 'original' esteja ou pela distância emocional. O fato é: O escape é tão mal amado que fica torcendo que os outros falhem para serem usados.
Triste vida é ser escape. Depender da falha do outro para ser útil.
Triste vida é toda essa, que as pessoas fingem tão bem que acabam por acreditar nas suas máscaras.

15 de outubro de 2011

Sexo x Amizade

O sexo é mais importante do que a amizade.
Você fica chocado com essa afirmação? Pare para pensar, quantas vezes você deixou de estar com sua amiga, aquela que você conhece há 10 anos, para estar com aquele 'gatinho' que você conhece há um mês?
"Não, eu amo minha amiga", mas meu 'NAMORADO é meu namorado.
E amigo tá sempre por ali, sempre de braços abertos para me acolher.
Mas você não tá nem aí se sua amiga tá sozinha, chorando e sem ter para onde sair, nem para onde ir, porque você precisa dispensar 24h do seu dia para estar com o 'homem da sua vida'.
O que o namorado te dá que o amigo não dá? Sexo.
Então eu volto a afirmar: Sexo é mais importante que amizade, a grande diferença é que somos covarde demais para admitirmos. Temos que pregar um discurso puritano de que a amizade é tudo. Mas amigo só serve quando estamos na pior. Porque se estamos bem, nem lembramos que ele existe. Basta estar com alguém.
E tem muito amigo egoísta também, daqueles que sempre desejam que estejamos sós. Para vivermos ao seu lado pedindo apoio, atenção e estar na mão deles.
Em suma, ninguém deixa de estar com o 'namorado, caso, relacionamento, marido ou sei lá o que', para estar com um amigo.
Amizade é muito bom, mas só quando se está solteiro.
Pena que ninguém admite isso...

 16 de outubro de 2011

Boneca na vitrine

Quando eu era criança eu tinha muitas bonecas velhas.
Muitas eu já ganhava "usada". Vinha de alguma prima 'mocinha' que não queria brincar de bonecas, outras eu mexia tanto que terminava desmantelando as coitadas.
Sempre que minha mãe resolvia fazer arrumação nos meus brinquedos, queria jogar as mais 'acabadas' fora. Dizia que estavam feias, descabeladas ou até sem um braço e uma perna, mas eu, em minha inocência ou sensibilidade excessiva, achava que, se as desprezasse, elas iriam sofrer. Pior, eu acreditava mesmo nisso.
Pensava que boneca tinha sentimento. Sempre procurava brincar com todas igualmente, para não deixar nenhuma 'de canto', solitária, triste.
Essas situações me vieram a mente hoje... Não sei por qual motivos.
A verdade é que me comparo a bonecas. Não as velhas, usadas, mas àquelas desgastadas.
Sabe aquela boneca que está na loja, mas que algum curioso quis descobrir o que tinha dentro da caixa, olhou, tocou, 'amolegou' e deixou lá?
Depois vieram outros e outros que, por mais que tocassem, e vissem como aquela boneca é, sempre leva a outra, a intocada, que está no seu cantinho só esperando ser levada para casa.
Enquanto isso, os anos vão passando. E de repente nem existe mais bonecas iguais a você, que estejam nas suas caixas. Você agora é única na loja. Está lá. Sendo ofertada. Mas de nada adianta.
Por mais que você esteja na vitrine e algumas pessoas passem e te admirem pela boneca que um dia você foi, e até entenda tudo isso que você passou e que explicaria o fato de não estar 'novinha em folha', eles não vão te levar para casa.
Sou como uma boneca na vitrine que ninguém escolhe.
O tempo pode não ter me deixado como fui feita, mas ainda sou eu.
O tempo pode ter desgastado algumas partes dos meus sentimentos.
Os que passaram e apenas PASSARAM deixaram algumas marcas, umas cicatrizes e até feridas crônicas impossíveis de cicatrizar, mas me deixaram no mesmo lugar com minha dores e sonhos marcados por decepções.
Mas ainda estou lá...e só queria que você me escolhesse...

21 de outubro de 2011

Encontros, desencontros, reencontros...

Há algum tempo eu não venho por aqui...Dias, eu acho.
Talvez esteja sem assunto ou esteja com assunto repetido.
Nas minhas lembranças só existe uma pessoa. No meu pensamento só ele está presente.
Te amei desde a primeira vez que pude olhar nos teus olhos. 06/06/06.
Data estranha para conhecer alguém, mas o mundo realmente acabou naquele dia. Acabou o meu mundo velho para nascer um mundo de sentimentos novos.
E desde então eu não sei mais o que é ser eu, sem você.
São cinco anos em que me perdi para te encontrar...e te perdi.
A cada reencontro, ainda que depois de vários anos, parece que foi há uma semana e quando o nosso tempo de separação realmente "foi há uma semana", parecem anos.
Há quanto tempo sem notícias tuas? 20 dias. Só? Parecem séculos.
Falo com o vazio do teu silêncio. Sinto tua presença na ausência.
"Quem vai dizer ao coração que a paixão não é loucura mesmo que pareça insano acreditar? Me apaixonei por um olhar, por um gesto de ternura, mesmo sem palavra alguma pra falar. Meu amor, a vida passa num instante e um instante é muito pouco pra sonhar... Quando a gente ama, simplesmente ama".
Queria voltar ao dia em que te conheci... Faria tudo diferente. Faria em gestos o que eu só consigo em palavras. Palavras ao vento...
Encontros, desencontros e reencontros...
Talvez mais desencontros do que reencontro.
Desencontros que trazem lágrimas, reencontros com sorrisos limitados.
Felicidade tem prazo de validade e eu já passei do tempo de ser feliz.

25 de outubro de 2011

A felicidade do ser ignorante

Sempre pensei que fosse bom ter muito conhecimento.
Vejo que me enganei.
Estudei tanto Deus e as religiões que perdi a crença nelas.
Antes eu conseguia ir a missa e ver/ sentir apenas o rito.
Hoje vou a missa e termino por analisar os cantos, se estão liturgicamente corretos ou se o padre vai realmente fazer uma homilia ou apenas enganar os fiéis com discursos preconceituosos.
Também fui espírita, mas o espiritismo é conformista demais.
Estamos num mundo de prova e expiações, então precisamos sofrer com resignação para um dia (se é que esse dia vai chegar) você ser feliz. Ou seja, sofra sorrindo.
A lei cristã diz: Se alguém lhe bater uma face, ofereça a outra. Tem algo mais estúpido?
Se para ser feliz é preciso sofrer, apanhar, chorar e ainda morrer para voltar numa vida que nem sabemos se realmente existe, que sentido tem essa vida?
As religiões de matrizes africanas são outras. Um monte de 'deuses' para ser devoto.
Deuses que recebem algo para deixar sua energia 'harmonizada'. Se afaste e irá sofrer todas as provações, dores e sofrimentos. Se afaste e você perderá o "asè".
E os neopentecostais ou protestantes?
Esses já estão salvos. O Deus deles mata, se vinga, e dá vitória, mas só para quem está lá com eles. Louvando e glorificando apenas o Deus deles.
Em um resumo geral, a felicidade não é desse mundo e o homem tem que sofrer para ser feliz, na eternidade ou em outra vida. Sendo assim, não vejo sentindo em continuar nessa vida aqui, sem nem ao menos ter a certeza de uma vida futura; Dando a cara a bater enquanto pessoas sem fé, sem Deus e sem escrúpulo, são felizes (nesta vida mesmo)..."Ah, mas eles vão pagar por tudo". Vão? Quando?... na eternidade.
Como eu não sei se vou chegar a eternidade, melhor é ser feliz com a vida de ignorante, de quem não conhece ou vivencia religião nenhuma.
Cansei de pedir por algo que só serei atendida em 'outra vida'.
Acho que vou voltar a viver a felicidade de ser ignorante, se é que eu já fui um dia.

 6 de novembro de 2011

Liberdade


Hoje acordei com vontade de ser livre.
Livre de todo apego.
Livre de todos os sentimentos que não me deixam seguir em frente.
Longe de todas as pessoas que só me buscam quando precisam.
Longe de todos aqueles que mentem descaradamente e eu finjo acreditar para não perder a amizade, ainda que esta seja regada de mentiras.
Quero ser livre de conceitos e de fé,embora eu nem saiba no que devo crer.
Livre de tudo que me sufoca. Tudo que me machuca.
Livre de tudo que sinto falta sem jamais ter existido.

25 de janeiro de 2012

Você não sabe o quanto eu caminhei...pra chegar até aqui!!

E já se passaram três anos.
Anos de lágrimas e sorrisos. Amizade e traição. Tensão e diversão.
Foram anos de luta. Anos onde conhecemos o melhor e o pior de cada um.
Anos de quebrar a cabeça, fazer seminários, trabalhos, ler livros. Aprender com os erros...continuar errado.
Anos de romance e decepções. Anos de plena felicidade e realização.
Mas também de tristeza, de perdas.
Ganhamos e perdemos amigos todos os dias, afinal, conviver com o outro é uma arte dificílima.
Agora estamos na reta final e parece até réveillon: Todos Juntos e Misturados.
Grupos de afinidades sempre terão, mas há poucos meses de se tornar jornalistas, as intrigas perderam a graça, o sentido.
Quem é mal humorado, continua sendo. Quem é interesseiro também. Ah, mas diante do passo que estamos a dar isso tudo se torna pequeno demais.
O fato é que crescemos, amadurecemos e construímos uma nova fase.
Nesses três anos, vidas mudaram.
Quem tinha um emprego fixo, hoje está vivendo a incerteza de estagiário, mas está feliz fazendo o que sempre quis... Muitos ainda sem saber ao certo o que ser depois de "estudante". Seremos contratados? Ninguém sabe, mas sabemos que estamos com o início de um sonho realizado, para avançar para outras e novas realidades.
Parabéns a todos os meus colegas e futuros profissionais.
Parabéns aos amigos que levarei comigo para sempre.
Parabéns a todos nós!

27 de fevereiro de 2012

É proibido chorar

"De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto

De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama

De repente não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente

Fez-se do amigo próximo, distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente"
(Vinnícius de Morais)

E depois de tanto repente, as pessoas ainda exigem que você sorria. Bem diz o Pe. Fábio ao afirmar:
"Nos dias de hoje, cada vez mais, acentua-se a necessidade de ser forte. Mas não há uma fórmula mágica que nos faça chegar à força sem que antes tenhamos provado a fraqueza."

E eu sou fraca. Assumo minha miséria e fraqueza. De repente eu me vejo longe de quem amo, pessoas que sempre se amaram se separando, sonhos se desfazendo... e única coisa que você é completamente proibido de fazer é chorar.
Tem que mostrar uma fortaleza que não existe, um sorriso frio, uma falsa alegria. Porque?
Porque estar triste incomoda.
Não que as pessoas estejam preocupadas com a sua dor. Para elas pouco importa o motivo das suas lágrimas, importa é chegar em casa/ trabalho/ faculdade e não ter o desprazer de olhar para sua cara com lágrimas que parecem não cessar.

E ao tentar diminuir um pouco da dor (e da saudade) que estou sentido, eis que o que recebo é apenas indiferença. Ou desatenção. Nem sei ao certo. Dizem que é preferível ser odiado do que ignorado.
Acho que tô na fase de ser ignorada. A indiferença é o sentimento de simplesmente desprezar tudo o que é importante (ao menos importante para mim).

Sem dúvidas, a minha formatura é algo importante. Mas não quero que se torne uma cerimônia de aparências. Quero que as pessoas que amo celebrem comigo. Não convido por educação ou retribuição. Quem é convidado por mim, para um momento único na minha vida, é por que realmente é tão único quanto este momento.

Lamentavelmente, eu não posso obrigar 'você' a entender o quanto te amo e quanto você faz falta na minha vida.
3 de março de 2012

Ser adulto

Sempre pensei que uma pessoa adulta é alguém que tem responsabilidade, preocupações, compromissos. Alguém que se importa com a dor do outro, que é sensível.
Me enganei.
Ser adulta é justamente o oposto.
É ver o mundo se acabando e pensar: eu quero mais é que tudo se dane.
É ver a família se acabando e sair para tomar um sorvete.
É ver pessoas sofrendo e dizer: Antes ele do que eu.
É simplesmente ignorar que o mundo tá uma merda e pedir uma 'cerveja gelada, por favor'.
É isso que as pessoas querem de mim: Que eu seja adulta, simplesmente ignorando todos os compromissos que tenho ou sendo totalmente insensível ao que está acontecendo ao meu redor.
Ser adulto é rir da desgraça. É ir para festas e deixar que os outros se f...
É isso que tenho escutado: Seja adulta.
E quando eu pergunto o que é ser adulto, me respondem: Vá viver a sua vida e nos deixe em paz.
Seria normal se não fossem pessoas que convivem comigo há 30 anos.
Seria normal se não estivéssemos falando da minha família.
Não sou adulta. Não consigo viver fingindo que tudo está bem.
Adulta eu serei quando eu jogar tudo para o alto e simplesmente desaparecer.

04 de março de 2012

Sobre amizade...

Sabe aquela amiga de infância que cresceu ao seu lado, fez planos, chorou suas primeiras decepções de menina, sorriu com seu primeiro relacionamento, segurou vela, mentiu com você e prometeu que nunca se separaria?
Pois é. ELA NÃO EXISTE.
Simplesmente porque crescemos e amadurecemos e na época do juramento de amizade eterna, nossas maiores preocupações eram como aprender as coreografias da Xuxa.
Hoje somos adulta (eu nem tanto), e a obrigação de ser adulta pesou tanto que você nem percebeu que amizade não se mede pela duração.

Maria Quitana dizia que a "Amizade é um amor que nunca morre". Mentira, morre sim.
Amizade, assim como qualquer relacionamento, envolve pessoas. Pessoas que crescem e se tornam egoístas, que têm pensamentos e desejos diferentes, daí quando a 'maturidade' não é suficiente para aceitar que o outro tem OUTROS amigos, daí essa amizade morre e não de morte morrida, mas de morte matada.

Chega um momento em que crescemos e esse amigo tem uma vida profissional onde é 'lider' e daí essa pessoa pensa que, assim como no trabalho, os amigos devem ser submissos.
Por um momento você até aceita em nome de uma amizade que começou lá em 1900 e alguma coisa, mas chega uma hora que você cansa. E quando isso acontece, o outro, acostumado a ser líder, estranha e te chama de fingida. Simplesmente porque você não aceita ser obediente ao que ele deseja. Não aceita mais se sujeitar as vontades dela.
Isso aqui não é um protesto "abaixo à amizade".
Ela existe sim (em algum lugar), mas não será o tempo e sim a ocasião que vai dizer quem são seus amigos.
Amigo é aquele que está ao seu lado no momento que você precisa compartilhar um momento de alegria ou tristeza e acreditar que existe estes SER em algum lugar só gera frustração.
Amigo pode ser aquele colega de trabalho que te ouve quando você chega super mal porque brigou em casa ou mesmo quando você chega super eufórica porque conheceu alguém novo, ainda que este novo colega você conheça há poucos meses e possa até deixar de ser poucos meses depois. NAQUELE MOMENTO, ele foi seu amigo.
Amigo é uma pessoa que senta ao seu lado num ônibus e você sequer sabe o nome dele, mas te diz exatamente o que você precisa escutar.
Amigo é aquele que você nunca viu pessoalmente, mas que está vez ou outra online e  você troca um "olá".

As pessoas costumam dizer que amigos são anjos enviados por Deus e eu acredito nisso.
E Deus, Onipresente, envia anjos nas situações mais inusitadas.

Se você tem um 'amigo de infância', torça para que ele continue um menino (a), porque no dia em que ele crescer, casar e encontrar outras pessoas, ela não vai pensar duas vezes antes de te deixar de lado e ainda te chamar de fingida, insensível e infantil.
Desculpe-me se não venho pregar uma amizade que é eterna, mas ela é tão frágil quanto qualquer relacionamento que envolva seres humanos e uma vez quebrada vira vidro. Cada vez que você tenta se aproximar, você só se machuca.
4 de março de 2012

Esperando quem não vem

E você que sempre, mais cedo ou mais tarde, voltava. Não mais voltou.
Esperei por dias e noites. Sonhos e ilusões. Esperei teu apoio, teu carinho, teu retorno.
Não veio.
Do nosso encontro, pouco lembro, além de uma grosseria sem razão e uma aliança que não era a minha.
Uma aliança que esfregava na minha cara que aquelas mãos já não me pertenciam. E você? Você sequer notou o quanto isso me doía.
E foi aí que parafraseando Renato Russo 'decidi começar a viver, já que você não me quer mais'.
Mas o que é viver sem você? Em seis anos, eu vivi esperando, ainda que inconscientemente. E era com você que conversava no silêncio do meu pensamento. E era com você que eu falava ainda que sem palavras.
E me vi, mais uma vez, fechada. Completamente travada para me permitir ser vista por outras pessoas.
Ergui o rosto e fingi que sabia o que era deixar se envolver.
Nessa tentativa frustrada de mostrar que eu poderia viver sem você, conheci pessoas engessadas.
Pessoas que não conseguem mentir, mas não por prezar pela sinceridade, mas por deixar rastros fáceis de serem identificados por alguém calejado como eu.
A primeira experiência foi traumática. O galã era na verdade cheio de vícios e entre seus vícios principais, o de 'misturar pessoas'. Para ele não importava se eu me chamava Ana ou Raquel, era mulher e o que ele precisava qualquer mulher tinha. Fugi.
A segunda só durou dois encontros e nenhum contato. Uma mentira em cima da outra. Mas mentir para alguém que conhece "Deus e o mundo" não é uma boa iniciativa. Com algumas buscas foi logo descoberto que, essa pessoa com quem troquei apenas telefone, já tinha um relacionamento.
A terceira (e última) foi uma tentativa louca de achar que eu também poderia manter um relacionamento virtual. Uma pessoa legal. Sorridente e aparentemente livre...só aparentemente. Pois mais uma vez, um relacionamento REAL estava presente e fácil de ser descoberto.
As pessoas fingem demais e lidam com outras pessoas como se fossem objetos. Usam (ou tentam) como uma forma de passar o tempo, mas sem nenhum respeito ou comprometimento.
Não têm coragem para assumir sua verdadeira identidade e acham que a soma de 'mulheres' com quem conseguem se envolver é mais importante do que a veracidade do sentimento que conseguem obter delas.
E mais uma vez, ao tentar te esquecer, eu vi, que com todos os defeitos, manias e falta de esperança, amar você ainda é minha melhor opção.
Você pode ter todas as imperfeições do mundo. Pode não entender como funciona um relacionamento real. Ou pode achar, a todo momento, que eu nunca gostei de você. Mas entre sofrer por uma pessoa DE VERDADE que se afasta de mim, por não me achar digna e me envolver com pessoas que usam máscaras por me acharem um brinquedo, sem coração e sentimentos. Eu prefiro seguir esperando por você...

11 de março de 2012

Por você

Meus melhores sorrisos foram com você.
As melhores fotos foram captadas através do teu olhar.
Você é o dono dos meus melhores beijos, melhores abraços, melhores olhares.
Com você eu vivi os melhores momentos, os melhores sonhos e as melhores realidades.
Só com você eu fui feliz, só com você eu sou feliz.
E por você eu silenciei mesmo quando a vontade era gritar que te amo.
Por amar eu te deixei livre.
E na tua liberdade, eu fiquei só.
E é em você que eu penso todos os dias, minutos e segundos.
É por você que eu estudo, trabalho, choro.
Por você que eu espero novamente ter.
Por você que eu nunca vou esquecer.
Tudo, somente por você!

24 de abril de 2012

A vida imitando a arte

O filme "Noivas em Guerra" retrata exatamente o que acontece com as amizades:

Emma (Anne Hathaway) e Liv (Kate Hudson) são amigas desde criança, quando planejaram em detalhes como seriam seus casamentos. Um deles é importantíssimo: que a cerimônia ocorra no Hotel Plaza, o local onde os mais badalados casamentos de Nova York ocorrem. Agora, aos 26 anos, elas estão prestes a se casar. Mas um erro na marcação das datas faz com que elas coincidam, o que gera uma disputa entre as agora ex-amigas por quem fará a cerimônia no local sonhado.

As pessoas são "best friends'' até que por algum motivo besta elas brigam e vem à tona todos os defeitos da outra pessoa. Defeitos até então 'não percebidos' por um gesto de amizade eterna.

Esse filme é bastante previsível. Elas vão se machucar com palavras e gestos, mas no fim serão felizes e continuarão amigas para sempre...até a próxima briga (que não será exibida no filme), mas que é o que realmente acontece.

Amizade, assim como qualquer relacionamento, é frágil porque lida com pessoas... e pessoas são falhas, são limitadas e erram.

Filme 'divertido', mas bem triste para quem já teve uma amiga e a perdeu em um dia que deveria ser de comemoração: O dia do seu aniversário!

Para ela isso não representa nada. Assim como não representará minha formatura e assim como ela não respeitou os meus momentos de tensão pré-provas da faculdade. Mas é como disse Pe. Fábio de Melo:

"Costumamos dizer que amigos de verdade são os que estão ao seu lado em momentos dificeis...Mas não!

Amigos verdadeiros são os que suportam a tua felicidade!

Porque em um momento difícil qualquer um se aproxima de você.

Mas o seu inimigo jamais suportaria a sua felicidade!!"

21 de maio de 2012

Sobre o Dia dos Namorados II

O que me incomoda não é o fato de não estar com você no dia dos namorados - certamente você nem sabe que dia é esse - e sim não poder estar com você nos outros 364 dias do ano.
O que me conforma é saber que a distância física não significa distância de pensamentos... Lembro-me de você cada segundo da minha vida. E sei que, vez por outra você também lembra de mim, seja num livro, num tema, numa música, num cheiro...
Talvez a lembrança nem seja como eu 'gostaria que fosse', mas o sentimento não depende da intensidade...ele pode vir de mansinho, pode vir no querer o bem do outro, vem do desejar que o outro seja feliz...seja como for.
'Amar alguém é viver o exercício de não querer fazer do outro o que a gente gostaria que ele fosse. A experiência de amar e ser amado é acima de tudo a experiência do respeito' (Pe. Fábio de Melo)
E eu respeito o seu silêncio, por mais que tudo o que eu desejo na vida seja a tua voz.
Respeito teu afastamento, por mais que deseje constantemente a tua presença.
Respeito o teu desejo, por mais que o que eu mais deseje é ter você junto de mim.
Amor não é teoria e se me afasto é por respeitar a tua vontade de ficar só.
Quem ama liberta! Por mais que a dor do "não saber" machuque o coração.
Uma coisa é certa: Se você tiver de voltar, vai voltar.
As portas da minha vida estão sempre abertas para você.
Seis anos e seis dias se passaram. Minha vida se resume a antes e depois de você e por mais que eu tenha derramado algumas lágrimas, por mais que a angústia as vezes maltrate meu coração e a saudade me sufoque...eu sou muito mais feliz desde que te conheci.

12 de junho de 2012

Discurso da formatura da Turma Éden Pereira 2012.2

No inicio eramos apenas comunicadores sociais. Publicitários e jornalistas dividiam o mesmo espaço físico e os mesmos sonhos. As primeiras amizades surgiram dali, desde os primeiros dias de aula. A ansiedade de ver quem estará sentado naquelas carteiras. Quem seriam os professores, os livros que teríamos que ler e as notícias que iríamos escrever.

Naquele dia parecia que uma eternidade ainda estaria pela frente. Seriam 42 meses. Textos, textos e mais textos. E a cada novo professor, a mesma lição: LEIAM, LEIAM MUITO.

No primeiro ano era teoria atrás de teoria, termos complicados na aula de economia, filosofia, sociologia, datas na história da comunicação entre várias coisas.

Amizades que foram surgindo e se fortalecendo a cada volta para casa dividindo o mesmo ônibus ou pelo simples fato de atravessar a ponte. Aos poucos fomos descobrindo afinidades e os primeiros grupos de amigos foram se formando.

Mas quando o, então ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, defendeu a extinção da obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão de jornalista, foi um choque.

Muitos de nossos colegas desacreditaram na profissão e pouco a pouco deixaram para trás um sonho que, para nós, começou a se tornar realidade em 02 de fevereiro de 2009.

Alguns desistiram mesmo, mas infelizmente a situação financeira de outros não colaborou para eles estarem aqui, sentados do nosso lado. Mas estão no coração de seus amigos que sentiram as perdas ao longo dos novos semestres com a lista de chamada menor.

Nesta noite especial, recebemos nosso diploma. Mesmo com todos os problemas enfrentados em nossa educação universitária, mesmo que nossa graduação não conte com o devido reconhecimento.

Nosso trabalho é o de refletir a verdade, propondo interpretações e sugerindo alternativas. Acreditamos que um jornalismo independente e ético só é possível com liberdade. Liberdade de expressão para nosso trabalho e também para que o público tenha acesso a diferentes visões da realidade, contribuindo para um espírito crítico e coletivo.

Hoje é um dia solene para nós. Acontece agora um rito de passagem, uma celebração pública de alguns teimosos que estudaram nos últimos três anos e meio, quatro ou cinco anos, alguns mais, para formarem-se humanistas e profissionais.

Houveram dias de sorrisos e dias de lamentações; dias que se emendaram uns aos outros pelas madrugadas de estudo e dias de descanso; dias de adrenalina e dias de tédio, mas foram sempre dias que nos envolveram e transformaram nossas vidas.

Esta conquista representa a afirmação da capacidade de realização individual, mas principalmente reafirma a importância daquelas pessoas com quem convivemos. Para as famílias e amigos é um momento de festa ao ver que um dos seus venceu as próprias limitações ao formar-se um jornalista.

Para receber a glória por este feito, cada um de nós pagou um preço. Alguns saíram de casa, em direção a um local desconhecido, com pessoas desconhecidas: um mundo novo, encantador e assustador.

Em algumas circunstâncias estivemos longe de pessoas que amamos, mesmo que fisicamente perto. Houve dias de saudade e dias de desespero. Mas tudo isso valeu a pena. Afinal, quem não lembra a alegria da primeira matéria escrita, dos primeiros offs, de nossas primeiras fotos jornalisticas?

Seria bom se tudo fosse só glórias. Mas a glória nossa de cada dia é feita com o sacrifício de nossas escolhas. Enfrentamos o trânsito, o ônibus lotado, o caminho longo até nossa casa. Provas, provas e mais provas. Conceitos, termos, técnicas, nomes, teorias... e se não bastasse, nossa vida pessoal.

Mas a dificuldade da batalha só aumenta o brilho da vitória. Podemos até reclamar que foi difícil e complicado, mas foram esses desafios que nos formaram. Foram aqueles primeiros textos, as primeiras teorias que colocaram a base para o profissional que cada um é hoje. E esta é a consumação do esforço de muita gente: Nossos pais, que muitas vezes não tiveram a nossa oportunidade de frequentar uma universidade. Nossos amigos que suportaram nossas angustias e ausências. Nossos relacionamentos afetivos, que abriram mão de feriados, finais de semana e noites de festa para que pudéssemos estudar para aquela bendita prova teórica de fotografia.

Mas muita coisa boa fica guardado em nossa memória também. As festas, as pizzas depois das aulas, as brincadeiras, as comemorações... e nossos professores que nos fizeram descobrir um mundo novo. As aulas de rádio, de TV e até mesmo de fotografia. A descoberta dos veículos de comunicação e a identificação com eles.

E o temido Projeto Experimental? Esse tirou nosso sono, nosso juízo e até o cabelo daqueles que já nem tinham tantos. Mas conseguimos. Foram trabalhos elogiados. Todos com notas acima da média. Uma produção ímpar. Enfrentamos as nossas próprias limitações para ouvir, depois de um ano inteiro, ou melhor, três anos e meio, aquela última nota. O veredicto final. O sinônimo de dizer: parabéns, você é jornalista.
Um reconhecimento que é fruto da dedicação de vários professores. Sem a cobrança e os famosos deadlines, ou datas limites para entrega de trabalhos e matérias, nada teria graça. Cada um com suas afinidades, devemos muito a esses professores que estavam ali, todas as noites dividindo suas experiências e conhecimentos, preocupados com a formação de novos jornalistas, o futuro da imprensa. Olha a responsabilidade.
Somos nós os vencedores. Foram amizades e laços fortes construídos durante esses anos. Primeiras impressões que se desmancharam, confidencias trocadas e o apoio de verdadeiros amigos que conquistamos durante o curso. São lembranças e amizades que o tempo vai demorar para apagar, ou melhor, que o tempo nunca irá apagar. Esses dias ficarão marcados para sempre na reportagem que cada um lê de sua própria vida.

Essa pauta não tem fim. Os caminhos, suítes ou desdobramentos deste texto são diversos. Cada um agora irá seguir o seu próprio caminho. Somos como barcos que estavam ancorados. Agora prontos para ganhar a imensidão do mar.
Nesta ocasião gostaria de cumprimentar os colegas e amigos pela disposição e coragem de atuar no Jornalismo em tempos tão desafiadores. Mesmo com todas as dificuldades, cada um foi encontrando seu rumo e assim foram surgindo contratos com o Diário de Pernambuco, Rede Brasil de Comunicação, Celebs PE, Sistema Jornal do Commercio de Comunicação, TV Tribuna, Câmara dos Vereadores, Prefeitura de Jaboatão, Sindicato dos Pescadores, Infraero... Alguns vão para jornais, assessorias de imprensa, televisão, rádio, internet… Outros vão continuar estudando, em pós-graduações ou línguas estrangeiras enquanto passeiam pelo mundo.

Mas seja lá onde estivermos, saberemos sempre que a experiência pela qual passamos na Faculdade Joaquim Nabuco foi transformadora, seja pelos conhecimentos ou pelas amizades que levaremos para toda a vida.
Hoje podemos dizer: Somos vitoriosos! Vestimos a camisa e fomos à luta. Não desistimos temos orgulho de dizer que só existe um tipo de jornalistas: OS COM DIPLOMA.

Parabéns a todos nós, Jornalistas!

 26 de julho de 2012

Amor e Fé

E é então que chega em um momento de desespero e você dobra os joelhos e pede a Deus:
-Querido Deus, estou me sentindo sozinho, carente, triste. Manda alguém para alegrar meus dias, alguém que eu possa me apaixonar e que possamos viver felizes para sempre...
E de repente: Puft!
Eis que aparece (no dia seguinte ou na semana seguinte), o grande amor da sua vida.
A pessoa é maravilhosa. É exatamente aquilo que você imaginava, entenda bem: I-M-A-G-I-N-A-V-A.
É amor! Amor para toda a vida.

Outra situação semelhante é:
Você não tá nem esperando, nem pedindo, nem procurando, mas "sem querer, querendo" você consulta uma cartomante, entidade ou qualquer forma de adivinhação* e chega a grande notícia: "Vai aparecer uma pessoa na sua vida, que você irá ser feliz, que está predestinado para ser do jeito como você espera".
A cabeça faz um turbilhão de conjecturas e eis que você vê: É ele (a).
Daí o resto é só imaginação. É o amor eterno. É minha alma gêmea. É a pessoa com quem terei uma penca de filhos.
Ficamos sujeitos à imaginação e de repente o príncipe/ princesa nem é tão encantado (a) assim.
Começamos a viver um relacionamento conturbado, mas que, por acreditar se tratar de um presente de Deus, vamos enfrentando, lutando, vivendo (ou empurrando com a barriga), na tentativa desesperada de fazer dar certo algo que você acreditava (mesmo antes de acontecer) que daria.
(Falo por experiência própria).
Também pedi a Deus que me mostrasse o amor, a razão da minha vida. Dobrei meus joelhos, pedi, implorei, chorei e meu "príncipe" - às avessas  -  apareceu no outro dia (isso mesmo, 24 horas depois, mais rápida do que aquelas promessas de que "trago seu amor de volta em 48 horas").
Tinha um nome comum. Uma beleza incomum  - era lindo demais, um sorriso apaixonante, com os olhinhos verdes, do jeito que sempre imaginei (olha a imaginação falando outra vez). E meu amor eterno durou dois meses... E foi embora. Além de levar meu coração e parte dos meus sonhos, levou e nunca mais devolveu algo mais importante: minha coleção em "VHS" de Legião Urbana (isso sim, doeu de verdade)...Mas sobrevivi.
E não é que cinco anos depois, outra situação me fez cair nessa cilada novamente?
Eu nem perguntei nada, mas o "jogo" garantiu:
-Vai aparecer um homem na sua vida que vai te fazer sentir a mulher mais feliz do mundo. Ele é o oposto de você e veio para mostrar que quando o assunto é amor, nada é impossível.
E não é que dois meses depois (esse demorou mais um pouquinho para chegar) ele apareceu e era assim mesmo. Na verdade era um mala (que só descobri depois que o encanto acabou). Bebia (e muito), adorava uma farra, mentia com tanta convicção que ele mesmo acreditava em suas mentiras. Me apaixonei perdidamente, principalmente porque o jogo tinha dado certeza de que era com ele que eu passaria o resto dos meus dias. Mais uma vez o amor eterno, premeditado, escrito nas estrelas - e nas cartas - durou cinco meses de felicidade e quase três anos de irritação, intrigas, mentiras e transformou minha vida em um inferno.
Mas por que estou falando nisso?
Porque isso provou que Deus está ocupado demais para se preocupar com crises de relacionamentos, carências afetivas e frustrações amorosas. Se você está encalhada, não adianta pedir a Deus, a Santo Antônio ou qualquer outra entidade. Há milhões de coisas mais importantes na vida do que encontrar a Alma Gêmea...e quando isso acontecer - se acontecer - vai ser tão simples que você só vai perceber que encontrou o verdadeiro amor depois que estiver com 50 anos de casados, 5 filhos e 10 netos - e ainda sim, você corre o risco de descobrir que, seu príncipe, é na verdade apenas um sapo metrossexual.

13 de setembro de 2012

Sobre os laços humanos, redes sociais, liberdade e segurança

Por Zygmunt Bauman


Uma mentirinha, o que é que tem?

"Minta pra mim pra que eu viva meu sonho feliz assim"
(Jorge Aragão)
Tem frase mais verdadeira? Tem não!
Ele (a) mente e você finge que acredita.
E assim sobrevive a maioria dos relacionamentos.
Uma mentira engolida, com frequência até que se torna verdade.
De tanto fingir, em um momento você vai terminar acreditando.
... e assim vão vivendo "felizes para sempre".
Essa forma de levar a vida a dois me faz refletir e chegar a conclusão dos motivos pelo qual estou solteira.
Eu minto muito mal e 'finjo acreditar' pior ainda.
Vejo casais onde um dos dois mente DESCARADAMENTE e o outro, em sua inocência, acredita piamente. (eu sinto muito, mas eu não consigo).
E como dá certo para a maioria das pessoas?
Nas oscilação: Um dia eu minto, no outro você mente e os relacionamentos duram eternamente.
Essa vida de mentira pode até dá certo (por uma semana, um mês), mas e depois?
Quando um dos dois cansa de fingir que acredita e casamentos terminam?...e filhos se tornam órfãos de pais que só sabiam ser pais quando eram casais?... Esse é um dos grandes riscos que uma mentirinha, de vez em quando pode trazer. Quando não se mente só para o marido (ou a esposa), mas se mente para filhos, para amigos, para todos.
Isso me preocupa.
Uma mentirinha do carinha que você tá ficando, tudo bem!
O problema é nunca saber quando esse carinha vai se tornar o pai dos filhos.

14 de janeiro de 2013

Apenas dói...

E quando a dor é tanta que as palavras nem saem...e você perde o rumo, a fala... você já não sabe o que fazer. A dor, que dói na alma, transpassa e dói no corpo. Uma dor aguda que comprime, que espreme no peito e você não sabe nem porque.
Há muito tempo meu peito não doía. E foi tudo tão de repente que me deixou sem ação.
Estou pagando pelo surto dos outros. Agressão gratuita. Sem ter nem porque.
Uma pergunta foi feita. A resposta não era a que queria ouvir. A verdade que corrói. A verdade que mata.
Uma frase mal interpretada. Palavras lançadas que não voltam mais.
E a dor de quem está pagando por um crime que não cometeu.
Um ano que começou errado...que caminha errado.
E são apenas alguns dias passados.
O que fazer se as lágrimas não caem? O que fazer se a dor não cessa?
Um grito preso na garganta.
E só.

22 de janeiro de 2013

Acaso

Quando o encontro é inesperado.
E o destino conspira à favor.
E mesmo sem querer você encontra.
E se pega pensando.
E sorri sozinha.
E percebe que não é tão ruim assim.
E então você resolve dar uma nova chance.
O coração se alegra.
A vida fica mais leve.
E você?
Você é muito mais feliz!!!

24 de janeiro de 2013

Silêncio Inquietante

E aquele silêncio constrangedor voltou.
E voltou com mais força, quase gritando.
Um desejo reprimido.
Um medo.
Uma inércia.
O silêncio de algumas horas... Quase uma madrugada inteira.
A respiração alterada.
Coração acelerado.
Inquietação.
Sede.
Sede de beijos, de carinho, de cuidado.
O calor que nem os dezesseis graus que o ar-condicionado marcava era capaz de conter.
Uma vontade e só.
Um desejo abafado após ouvir os primeiros suspiros.
Dormiu.
O corpo ardia em brasa.
Os batimentos descompassados.
A vontade, nada mais.
O sol emanou os primeiros raios.
Era um novo dia.
E uma velha história.
Um coração chorava.
Uma dúvida que nunca terá resposta.
Um vazio.
E mais uma vez... uma vontade.

7 de fevereiro de 2013

Redes Sociais x Relacionamentos

Muitas pessoas acreditam que o grande mal dos relacionamentos são as redes sociais.
Amizade, namoro, vários tipos de relacionamentos terminam e os culpados são sempre as plataformas digitais.
Não acredito nesta teoria.
Os relacionamentos acabam justamente pela má interpretação ou mal uso delas.
Pessoas que leem uma frase e vestem a "carapuça" e pensam: Foi uma indireta para mim! (e na maioria das vezes nem é).
Amigos de longas datas que acham que "estar próximo" é estar ciente de timeline do outro, esquecendo que nossa vida é muito mais do que uma página virtual, do que uma frase pronta de internet.
As redes sociais se tornam um problema quando é o único meio de comunicação.
Um olhar fala mais do que uma frase escrita (ou compartilhada) em um momento qualquer.
É difícil (não impossível) que a pessoa simplesmente compartilhe uma frase que achou legal, divertida, mas que não representa o momento atual.
Uma frase, até mesmo pelo telefone, passa sentimento.
Quantas vezes mesmo com uma lágrima nos olhos não usamos um emotion de uma carinha feliz?
Quantas vezes não estamos chateados e fingimos estar offline para não responder com um desaforo?
O que somos no mundo virtual não representa, necessariamente, o que somos na vida real.
E isso as pessoas não entendem.
E cada vez mais relacionamentos terminam.


12 de fevereiro de 2013

Ele...

(...) E sem dizer uma só palavra ele chega e desmantela completamente meu coração. Faz-me ver que todo meu discurso e minhas ideias não passam de defesa para esconder o que está cada vez mais vivo no meu coração. Amor que não se acaba. Amor que se respeita. Só amor.

Cheiros e saudade

Passei a usar perfume importado depois que meu perfume favorito deixou de ser um cheiro pra se tornar uma lembrança. Hoje eu fiz a experiência de tentar voltar a usa-lo, mas descobri que não consigo. A lembrança da felicidade vivida,saudade muitas vezes mascarada em gestos de frieza, o sentimento guardado...impressionante como se fez presente em um simples cheiro de perfume. Cheiros que trazem saudades de um passado que morreu, mas nunca foi enterrado.

13 de agosto de 2013

Status de Relacionamentos

Confesso que, de uns tempos para cá, tenho fugido de relacionamentos. Muitos definem como desilusão outros como revolta. Eu prefiro ver como uma defesa.
Infelizmente nem sempre funciona. Descobri - da pior forma possível - que quando tem de acontecer, acontece. Não serão rótulos ou status de relacionamentos que vão medir sentimentos.
Coração é complicado. Você acha que não vai se apegar à pessoa, simplesmente porque não tem um "nome" que defina a relação.
Namoro, ficante fixo, "peguete", seja qual for a definição, não vai importar muito.
Quando o coração dispara. Quando o sentimento fala mais forte, a pessoa pode ser até um conhecido que você só viu uma vez, mas que deixou uma marca que você não sabe como apagar, simplesmente porque há coisas que não se apagam.
Quando o coração quer, não tem jeito. Você mata, morre, chora, se descabela, dorme com os olhos vermelhos e acorda japonesa - porque os olhos nem abrem mais de tão inchados - mesmo sabendo que, enquanto você sofre a pessoa está feliz e sequer lembra que você existe.
Uma coisa eu preciso tirar como lição: Eu não virei um iceberg.
Mas um outro fato - por sinal muito mais importante - é que, antes de amar qualquer pessoa, eu ME amo muito mais. Então, só derreto por quem - e durante o tempo que - vale a pena!


3 de outubro de 2013

Conteúdo x Embalagem

"Para que conteúdo, se na prática, todos compram um produto pela embalagem?"

Pensei nesta frase e depois lembrei: Quantas vezes nós ganhamos um presente, embrulhado em um papel de seda, lindo, maravilhoso e depois que abre nos deparamos com objeto vazio e de pouca utilidade?
Imagino que isso aconteça com muitas pessoas. Se apaixonam a primeiro olhar. Lindos, perfeitos. Uma divindade na terra que desceu apenas para cair em seus braços.
Passados os cinco primeiros minutos - as vezes meses, anos - você finalmente descobre o vazio de pessoas que só pensam em futilidades e sem menor conteúdo.
Homens têm consumido músculos, corpo sarado e rostinho bonito. Esquecendo que "beleza não põe mesa" e que em algum momento todo o encantamento vai por terra.
Infelizmente, as mulheres estão se acostumando a ser objetos de desejos. Corpos esculturais, mas pouco conteúdo. Juntar beleza e inteligência é algo quase incomum. Mas ainda há esperança: Isso é possível.

3 de outubro de 2013

Dia da Saudade? ...

Descobri, meio por acaso, que hoje é o dia da Saudade. Impressionante, mas nunca achei que tivesse um dia para isso, já que todos os dias, eu sinto um pouco dela presente em mim.
Talvez isso explique a nostalgia dos últimos dias - acho que estava sofrendo de DPS (Depressão Pré-Saudade).

A semana já começou matando-a. Matei um pouquinho da saudade de uma época em que fui muito feliz.
Quando bati de frente com ela - e ela me pegou de jeito.
Um sorriso que não mudou. Um olhar que continua o mesmo.
Um tempo em que sorríamos e vivíamos. E éramos felizes pois acreditávamos.
Uma saudade de um tempo em que eu disse sim e te dei a mão para sermos felizes.

Ainda em êxtase pela felicidade de, por algumas horas, ver estrelas e sorrir. Um convite feito há 10 anos. Um desejo aceito há 10 anos.
Não é paixão, pois essa se vai fácil. É um sentimento louco, que não tem definição.
Voltei aos meus vinte e poucos anos, onde o sonho era mais importante que o mundo real.
E vivi meus momentos de felicidade. De sorrisos. De carinho. De respeito. De amor.
Não sei quantas décadas esperarei para viver de novo.
Não sei quantos cabelos você vai perder - e quantos novos quilos vou ganhar.
Nem sei se, de fato, nos veremos outra vez.
Mas todos os minutos vividos, em 2004 ou 2014, valeram a pena.

(Angélica Souza - Ou Ana Beatriz, como preferir)

30 de janeiro de 2014

Reféns Tecnológicos

E uma conversa em uma rede social, em um trânsito congestionado, abriu minha mente para uma reflexão: o quanto nos tornamos reféns da tecnologia. Já não sabemos escrever. Não conhecemos mais a letra dos amigos. Não guardamos mais lembranças. Está tudo lá, na "nuvem". Guardado em um espaço infinito e desconhecido.
A procura de uma fantasia - de carnaval, encontrei um passado. E um passado bem feliz, por sinal. Dezenas de cartões, cartas, declarações. Papéis, papéis e papéis. Talvez, para muitos, lixo, mas muito mais do que isso, são lembranças. Cartas escritas há quase 20 anos. Bilhetes com declarações com quase 10. Uma história em uma caixa guardada no fundo de um armário. Alguns sem assinatura. "Do seu anjo da guarda, crisma 2002". Outras assinadas, mas de pessoas que não recordo o rosto, mas que as palavras escritas ecoaram em minha alma.
Revirando o passado encontrei carinho, vi sinceridade. Reencontrei com uma parte de mim que estava adormecida.
O "mundo tecnológico" nos torna mais do que reféns.
"Caramba, a net caiu o que vou fazer do meu dia?"
"Putz, o iPhone descarregou e agora, como vou encontrar alguém?"
Talvez nosso "sexto sentido" fosse mais utilizado na era "pré - cibernética". Encontrávamos quem quiséssemos e sem muito esforço. Sem GPS, sem telefone, sem nada. Uau!
Nos dias de hoje, as coisas tornam-se mais fáceis - e sobretudo mais descartáveis. E-mails são apagados. Fotos deletadas. Perfis excluídos. Histórias que se vão sem deixar vestígios. Relacionamentos terminam e as fotos, que eram tão difíceis de serem rasgadas, pois o apego sentimental nos fazia pensar mil vezes, hoje só precisam de um ctrl del e são completamente destruídas, quase que por impulso. O número do telefone - ou whatsapp - também basta ser excluído do aparelho. Não guardamos mais - e se guardar é pra lembrar de não atender (santo identificador de chamadas e bloqueadores). Há alguns anos, por mais que apagássemos da agenda, os número ficavam gravados na mente - e haja coração para segurar a tentação.
É, pode ser papo de velha, da geração X, mas confesso: Por mais refém das mídias digitais que eu seja hoje, no passado eu era muito mais feliz.

30 de janeiro de 2014