segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Amor: Artigo em desuso

"Adoram a nudez do corpo. Se assustam com a nudez da alma" (Otávio L. Azevedo)

É tanta inversão de valores que hoje em dia demonstrar sentimento é fraqueza. Se há mais de 15 anos Renato Russo escreveu que "amar ao próximo está tão démodé", imagina hoje. Vivemos em um mundo em que é sempre preciso fingir. Fingir que não sente. Fingir que não gosta. Fingir uma liberdade que não existe. Estamos cada dia mais reprimidos. Expondo mentiras, reféns da sociedade do espetáculo onde apresentamos exatamente o que nossos interlocutores - nem tão participantes assim - desejam ler/ ver / ouvir. Os monólogos virtuais estão cada vez mais presente. O vácuo. O silêncio. A indiferença também. Sejamos gelo. Sentimentalismo está fora de moda. O amor está fora de moda. Dessa forma, faremos parte da sociedade pós-moderna e cibernética.


Por te falar eu te assustarei e te perderei? Mas se eu não falar eu me perderei, e por me perder eu te perderia. (Clarice Lispector, A Paixão Segundo G. H)"

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Mais glamour e menos brilho: a triste realidade dos bailes de carnaval de Recife

Em 2013, o Prefeito Geraldo Júlio sancionou o projeto de lei 4/2013, batizada de Lei Momento do Frevo, que "institui que as rádios do Recife deverão tocar ao menos UM frevo por dia - isso mesmo, UM FREVO, coisa que realmente deve ser muito difícil de tocar - como forma de incentivar e promover o ritmo que é Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade - sim, a Unesco considera o frevo um patrimônio desde 2012, nós 'pernambucanos' (vírgula) não.

Louvável a iniciativa do prefeito e do vereador autor do projeto, mas será mesmo necessário que tenhamos uma lei para tocar algo tão nosso? 
O Galo da Madrugada, que arrasta mais de um milhão e meio de foliões por ano e toca FREVO e as pessoas não deixam de ir. Olinda reúne milhares de pessoas nos quatro dias de carnaval subindo e descendo ladeira, só com o frevo. Baile Municipal - o único que nos resta - reúne os nossos artistas todos os anos e antes mesmo de começar a vender os ingressos ou de serem divulgadas as atrações, as fantasias já estão preparadas. E quando começa a vender tem que correr para não perder... Então me pergunto: É realmente necessária uma reformulação de bailes - ditos tradicionais - como Baile dos Artistas e Bal Masquê?

Lembro-me que, em 2010, o primeiro ano do novo formato do Bal Masquê - que inclusive teve o mesmo tema do Baile dos Artistas de 2015 "Viva a Las Vegas" - foi a primeira deformação da nossa tradição. Não é novidade que o Baile dos Artistas, que existe há 36 anos, vem passando pelas mesmas mudanças, mas será mesmo que são necessárias para "inovar"?

Bem, há quatro anos eu bato na mesma tecla. Não quero que ninguém concorde comigo, mas quanto mais "glamour e luxo" colocam nestas festas, com menos brilho elas ficam.

Chegamos a um ponto em que precisamos criar leis para executar o que temos de melhor: Nossa cultura, nossa raiz, nossa tradição, nossa história!