terça-feira, 24 de março de 2015

Mais um dia 24



Foram tantas coisas nesses últimos 60 dias que é complicado falar.
Durante quase cinco anos eu disse para mim mesma que eu estava bem e feliz, sozinha, sem horário para sair, para ficar, para chegar, para dormir ou acordar. Bastava uma ligação de uma amiga me chamando para ir para uma festa no Alto do Mandu, Morro da Conceição, Ibura, Marte, Júpiter e bastava ter uns reais no bolso e eu estava pronta para qualquer comemoração, desde que tivesse coca-cola e comida.

Sim, posso dizer que eu era feliz. Por cinco anos essa foi minha rotina: A boa do final de semana era estar em qualquer lugar, fazendo qualquer coisa, com qualquer pessoa.
Eu podia marcar viagens e ir sozinha. Podia fazer passeios, ir a praia, correr, ir ao cinema, comer, comer mais e comer mais um pouquinho, sem me importar com nada.

Dentro de minha "zona de conforto" eu tinha minha liberdade e minha solidão. Tinha meus medos e angustias mascaradas em uma vida livre. Algumas vezes o coração balançou, mas quando colocado na balança os pós e contras, a minha "vida sozinha" era bem melhor. As pessoas queriam me moldar " a sua imagem e semelhança".

De repente, entre um like e outro que um menino com um sorriso que não mostrava os dentes, com cara de nerd, óculos vermelho e zueira de sobra chegou em minha vida. Eu nem tava esperando ou procurando. Me "encontrou" justamente em uma dessas festas no meio do nada. Eu, ao som de Geraldinho Lins, em uma sexta-feira qualquer de dezembro. Ele em casa. Eu com meu iPhone (e meu carregador) agarrada em algum ponto de energia do salão tentava manter a conversa com aquele menino que, pasme, estava geograficamente tão perto de mim e eu nunca tinha visto.

Conversa vai, conversa vem. Mais um dia se passou. Conversamos por mais outros dias. Outras horas. Zuou comigo. Mostrei meu lado lesa (e num é que ele gostou) e mostrei meu lado menina-mulher.

Ele diz que eu dava em cima dele descaradamente. Não percebia. Talvez fosse algo tão automático quanto gostar de sorrir das bobagens dele.

Um dia ele me disse "não". Me senti a pior pessoa. Uma "body art" impedia que algo mais existisse. Nunca tinha o visto, mas aquilo doeu em mim, sobretudo por saber que "poucos meses antes" faria toda essa situação ser diferente. Me senti menor. Diminuida. Imperfeita. Indigna.

Mas como me disseram um dia "o não eu já tenho, o que vier diferente disso é lucro", eu não me deixei abater não. Aperrei que só. Nem esperava mais que algo fosse acontecer, mas eu tinha uma certeza na minha vida: Aquele seria o amor da minha vida. O que me faria deixar a minha vida chata dos últimos cinco anos, que eu pensava que era legal."

Foi num 24 que mandei chocolates para ele e disse que "seria a mulher da vida dele". Nunca tínhamos nos olhado nos olhos. Fui atrevida, louca, desajuizada, tambem nunca fui normal. Parafraseando Martha Medeiros é que digo "“Eu sou lúcida na minha loucura, permanente na minha inconstância, inquieta na minha comodidade. Pinto a realidade com alguns sonhos, e transformo alguns sonhos em cenas reais."

Bem, resumindo. Ele diz que eu insisti - e valeu a pena. Uma semana depois estava lá novamente. Eu passaria dias demais viajando. Precisava olhar nos olhos daquele que já mexia com meu coração. Poucas horas antes de 2015 chegar eu estava lá, diante dele. Coração na boca, sorriso no rosto, cara de boba - literalmente. Não sabia o que dizer. Não durou mais do que 10 minutos e ele me deixou pra trás. Pensei: Agora é hora de desistir e começar o ano novo com novos rumos. Continuamos nos falando. Viajei dois dias depois... embarquei rumo à felicidade, encontrei dores e alegrias, bons e maus momentos...e ele, agora tão distante fisicamente, se fez presente na minha vida em todos os momentos. Nas flores, nos espinhos, nas quedas - literais. E segurou minha mão quando pensei que não levantaria. Me deu ombro, colo, cafuné. A viagem que durou 22 dias pareciam séculos. Pela primeira vez me vi namorando alguém que nunca tinha beijado. Me vi sendo abraçada com emotions, me senti querida com S2. E mesmo antes de desembarcar no Aeroporto dos Guararapes, em 24 de janeiro, eu já te pertencia. Hoje é mais um dia 24. Não foi fácil. Estou me (re)adaptando a ser junto, depois de tanto tempo só, mas será juntos que vamos conseguir seguir e comemorar e construir muitos outros dias juntos.

Sou sua menina. Sou sua mulher. Sou sua e isso basta.

Você é meu chatinho. Meu menino. Meu homem. Meu bocó. Meu "bestalhado". Meu menino que ri e mostra um sorriso lindo. Que tem barba, que não tem. Que me beija e me faz viajar. Que me toca e me faz delirar. Que me olha e que me faz acreditar que a vida vale mais a pena, desde o dia que te conheci.

sábado, 21 de março de 2015

Há 365 dias


Éramos só nós: eu, um livro de Martha de Medeiros e um café. Um quarto de hotel desconhecido. Na tv qualquer programa em espanhol do qual não fazia ideia do que estavam falando. Lá fora o frio. Entre 13 e 8 graus, não mais que isso. Lá dentro não havia frieza. Meu coração ardia em estar em companhia de mim mesma. Sim, eu estava sozinha, mas não solitária. Não tinha medo do escuro. Não tinha medo de ser atacada por algum "hermano". No Brasil ninguem me esperava. Ninguém me fazia sentir vontade de voltar pra casa. Era só eu. O livro. O café. Nada me prendia. Nada me detinha. Passaram 365 dias. Este é meu quarto. Estas São músicas que conheço. Lá fora o barulho que já me é familiar. Em algum lugar da casa estão aqueles a quem foi designado como família. Conheço cada centímetro desse espaço. Meu espaço. Mas me sinto só. Na prateleira umas dezenas de livros. Eles não preenchem meu vazio. Nada preenche. Me vejo só. Busco um colo que não me pertence. Busco um ombro. Um apoio. Mas só tenho uma tela fria de um tablet e a "solidão acompanhada das redes sociais".

quarta-feira, 18 de março de 2015

O Mundo Mágico do NE10

Sempre fui apaixonada pelo meu emprego.
Quando em novembro de 2011 me ligaram do Sistema Jornal do Commercio eu não pensei duas vezes. Larguei minha zona de conforto, numa assessoria e me joguei de cabeça naquele mundo dos veículos de comunicação.
Comecei na rádio JC/CBN. Ver, enquanto ouvia, os grande comunicadores do rádio pernambucano me deixava cheia de orgulho. Mário Neto, Aldo Vilela e tantos comunicadores esportivos me faziam ter certeza de que aquilo que eu queria para minha vida.
Meses depois, fui relocada para o portal NE10 e lá pude conhecer um mundo novo. Um jornalismo ativo, participativo onde as notícias chegavam primeiro. Lá pude entender como funciona um portal, com informações sobre todas as editorias e, embora trabalhasse para uma específica, tudo estava ali, ao meu lado.
Conheci pessoas maravilhosas. Descobri o mundo por trás da tela do computador. Pessoas que me ensinaram e que acreditaram no meu potencial. Me apaixonei ainda mais pelo jornalismo.
Não havia feriado, finais de semana, nada. Eu sentia prazer de trabalhar.
Alguns diziam que eu "trabalhava até de folga", que as pautas me seguiam, porque mesmo de férias, os acontecimentos chegavam até mim e eu passava de receptor a colaborador.
Hoje faz 44 dias que tive que sair. Tive que deixar para trás meus sonhos. Tive que dar "até logo" a amigos queridos.
Hoje vejo que minha maior dificuldade, além do mercado de trabalho já ser fechado, é que eu amava aquela redação. Eu amo aquela redação. E por mais que eu busque, não vou encontrar nada semelhante por que eu não sai de um trabalho, eu sai de uma família.
Sinto falta das histórias de Mari Dantas, da calma de Belle, dos foras divertidos de Be, dos almoços com Bruno, do jeitão de Floro, da chatice de Wlad brigando com o ar condicionado - mas se empacotando todo, de Schver sendo muitas vezes "do contra", de Inês as vezes meio perdida com a "geolocalização dos protestos", de Gus discreto, de Jamildo solícito, de Veras falando da minha cara desleixada às 6h30 da madrugada, de Amanda sorrindo, de Malu louca, Bam pirralha, de TWagner me dando fora (acho que dava fora em todo mundo)... E claro, a louca da Lorena dizendo: Calma, vai dar tudo certo!!!
Isso eu não vou ter mais. Essa é minha maior dificuldade em procurar outro emprego. É como sair de um relacionamento e ficar procurando em outros as qualidades que o amor de sua vida tinha. Não me acostumei com separações. Não me acostumei com recomeços. Ainda me sinto perdida e cansada. E por mais que eu tenha fé, por mais que eu busque eu acho que é como a frase de uma música que diz que "Deus me entregou bem mais do que mereço talvez seja por isso que eu me cobre sempre mais, não que eu não seja capaz, mas às vezes é difícil".


sábado, 14 de março de 2015

Sobre as manifestações

Durante três anos e dois meses em que estive trabalhando enquanto jornalista, acompanhei várias manifestações: Pelos 20 centavos, pelo Passe Livre, pela causa dos rodoviários, pelos metroviários, pelos estudantes... algumas até mais de uma vez, afinal, tão previsível quanto 1+1 = 2, bastava um aumento na passagem, um dissídio ou qualquer outra atividade que envolvesse uma classe e era certo que teríamos protestos, nem sempre pacíficos. 
Nesses anos, como repórter, precisei - muitas vezes - abster-me de opinião própria em nome de uma imparcialidade que todo bom jornalista deve exercer. Nunca fui às ruas, se não fosse com um crachá e uma câmera na mão. Não cabia a mim emitir opinião, apenas retratar o que era visto.
Vi ônibus sendo depredados. Vi vândalos quebrando vidro do Cine São Luiz, vi "manifestantes" arrancando placas de trânsito pelo simples prazer de destruir. Vi "black block" de frente. Corri de bala de borracha. Bomba de gás lacrimogênios. Me assustei. Tremi. Mas escrevi ouvindo as "duas partes"e sendo imparcial.
Amanhã é dia de ir às ruas. Não sei se teria a mesma coragem se meu namorado não tivesse comigo. Amanhã vou lutar pelo que acredito. Vou dizer que não precisamos mais disso. Vou por lembrar que um dia o real foi equiparado ao dólar. Vou porque já tivemos dias ruins, mas que foram solucionado. Vou sem bloquinho, sem câmera, sem olhar jornalístico. Vou como cidadã. Vou como brasileira que se sente envergonhada com tanta corrupção. Vou na esperança de mudança. Vou porque estudei a vida toda, me esforcei, passei necessidade, paguei minhas contas e não acredito que um benefício de R$ 60 reais vá resolver o problema da fome, quando todo dia os preços dos alimentos do supermercado aumentam. Vou porque não acredito que programas sociais que levam meia duzia de "estudantes" para conhecer outro país, às custas do nosso dinheiro, seja a solução para termos um país sem fronteira. Vou porque não acredito que trazer médicos estrangeiros sem dar o mínimo de estrutura necessária e capacitação para profissionais daqui, que estudam por anos, vá resolver o problema da saúde no país. Vou porque faço parte dos 48% dos que não votaram no partido que diz que é dos trabalhadores, mas que reforma às regras apenas para benefício próprio, sem pensar nos milhares de trabalhadores que ficam desempregados todo dia. Vou porque não tenho uma causa individual, como a grande parte dos eleitores petistas, mas por uma causa conjunta. Uma causa que não vai beneficiar "uma pseudo" minoria, mas um país inteiro. Ir às ruas neste domingo não é histeria. Ir às ruas é mostrar que não está satisfeito e que não precisamos de mais quatro anos para ver o país afundar.
Dia 15 de março: Eu vou! Vou porque eu não vou desistir do Brasil.

Sobre o ciúme

Completamente nocivo, ele chega disfarçado de "bem-querer", Capaz de destruir, desestruturar, abalar, magoar, fazer mal, sofrer, chorar, ele se aloja aos poucos.
Você nem sabe como consegue ele tomar conta de toda sua racionalidade. Não h´á justificativas, nem precisa de motivos. Ele vem e mostra sua pior face.
Nessa história de ciúme sofrem todos. O receptor por ser vítima de alguém desequilibrado emocionalmente que vê "cabelo em cabeça de ovo", fruto da imaginação fértil - porém deturpada... Sofre o emissor. Ele mostra o quão é bobo e depois da crise e daí perde o assunto e a vergonha por ter sido infantil toma conta de todo o ser. Dai vem o arrependimento, a tristeza, e a síndrome de avestruz por querer enfiar a cabeça em um buraco para nunca mais ser visto.
O ciúme nos torna inseguros. Se "o medo é a falta de fé", o ciúme a falta de autoestima. De repente todas as pessoas do mundo são mais bonitas, mais inteligentes, mais interessante, mais, mais, mais... E assim, sem querer, por um momento de irracionalidade, você magoa a pessoa que você mais ama...