É tanta inversão de valores que hoje em dia demonstrar sentimento é fraqueza. Se há mais de 15 anos Renato Russo escreveu que "amar ao próximo está tão démodé", imagina hoje. Vivemos em um mundo em que é sempre preciso fingir. Fingir que não sente. Fingir que não gosta. Fingir uma liberdade que não existe. Estamos cada dia mais reprimidos. Expondo mentiras, reféns da sociedade do espetáculo onde apresentamos exatamente o que nossos interlocutores - nem tão participantes assim - desejam ler/ ver / ouvir. Os monólogos virtuais estão cada vez mais presente. O vácuo. O silêncio. A indiferença também. Sejamos gelo. Sentimentalismo está fora de moda. O amor está fora de moda. Dessa forma, faremos parte da sociedade pós-moderna e cibernética.
Por te falar eu te assustarei e te perderei? Mas se eu não falar eu me perderei, e por me perder eu te perderia. (Clarice Lispector, A Paixão Segundo G. H)"
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