segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Segunda-feira, 2 de fevereiro, 11h

Era uma segunda-feira comum. Com trânsito, com engarrafamento e ela chegava para mais um dia de trabalho...atrasada. Estava tranquila. Já estava naquela atividade há três anos e dois meses. Já havia passado por sete novos semestres e "volta às aulas".
Chegou e sequer teve tempo de sentar. Chamada à sala de reuniões nem imaginava que aquela não seria uma segunda-feira tão comum assim.
O assunto? Reformulação. E essa reformulação atingiria diretamente seu setor. Seu emprego. Inicialmente, em um instante de pensamento ela pensou na equipe. Achou que teria que se despedir de uma de suas estagiárias e seria doloroso. Até que recebeu a frase que ecoou na sua mente por dias: Você está sendo desligada!
O chão sumiu. É fato que todos passam por isso, mas dentro de tantas possibilidades ela jamais imaginou que seria assim. Desligada e pronto. Pode passar no Departamento Pessoal. Sem mais. (nem menos).
Era o fim. Não conseguia assimilar bem o que estava acontecendo.
Há sete dias estava retornando de férias.
Ela cruzou a portaria, já sem crachá. Agora precisava pedir para sair e entrar. Estava sem rumo.
As pernas tremiam. Os olhos não conseguiram mais segurar as lágrimas que estavam presas, o choro preso na garganta, a dor presa no peito.
Ela chorou. Chorou na rua, sem se importar com quem estava ao lado. Andou sem saber para onde ir. Precisava falar com alguém, mas a voz não saia. Algumas mensagens no Whatsapp: A melhor amiga, o namorado, a irmã. E saiu caminhando sem destino. Saiu cambaleando. Com o coração sangrando. Com os olhos mareados. Era segunda-feira. Eram onze horas da manhã. Era o fim.

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