sábado, 21 de março de 2015
Há 365 dias
Éramos só nós: eu, um livro de Martha de Medeiros e um café. Um quarto de hotel desconhecido. Na tv qualquer programa em espanhol do qual não fazia ideia do que estavam falando. Lá fora o frio. Entre 13 e 8 graus, não mais que isso. Lá dentro não havia frieza. Meu coração ardia em estar em companhia de mim mesma. Sim, eu estava sozinha, mas não solitária. Não tinha medo do escuro. Não tinha medo de ser atacada por algum "hermano". No Brasil ninguem me esperava. Ninguém me fazia sentir vontade de voltar pra casa. Era só eu. O livro. O café. Nada me prendia. Nada me detinha. Passaram 365 dias. Este é meu quarto. Estas São músicas que conheço. Lá fora o barulho que já me é familiar. Em algum lugar da casa estão aqueles a quem foi designado como família. Conheço cada centímetro desse espaço. Meu espaço. Mas me sinto só. Na prateleira umas dezenas de livros. Eles não preenchem meu vazio. Nada preenche. Me vejo só. Busco um colo que não me pertence. Busco um ombro. Um apoio. Mas só tenho uma tela fria de um tablet e a "solidão acompanhada das redes sociais".
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