De repente o silêncio invadiu o ambiente. Não era aquele silêncio que precede o beijo. Era o silêncio de quem tinha medo de se magoar. Medo de ouvir. Daí silenciava.
Era o não querer ouvir a resposta que me abalaria ainda mais. Era o não ouvir o que já sabia.
Eu não falava pra não ouvir e você? Acho que você não tinha muito o que falar.
Mas aquele silêncio era diferente. Era doído. Doía o não ouvir, não ter, não ver.
De costas pra você eu até queria te ouvir, mas ouvir o que?
O fingir que nada escrevi? O fingir que nada aconteceu?
Eu só sentia os teus movimentos, entre um prato e outro.
Nada consegui dizer e os pratos e talheres pareciam que não acabariam nunca.
E a casa, cheia de gente, parecia ter parado para ouvir...
9 de dezembro de 2010
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