segunda-feira, 13 de outubro de 2014
Uma Igreja sem pastor
Eu nem havia nascido quando ele chegou à Paróquia da Mustardinna. O ano era 1975. Padre Jaime encontrou uma pequena capela dedicada ao Bom Jesus Atado. E aos poucos, com muito esforço, anos depois a Igreja Matriz foi construída. Lembro-me bem, durante o período que cursei Teologia, na Unicap, em 2004, o quanto me orgulhava de pertencer a uma comunidade referência em liturgia, em espaço litúrgico. Em meu TCC, já no curso de Jornalismo, eu precisava mostrar para todos o quanto Pe. Jaime e a comunidade tinham sido importantes para minha formação pessoal profissional. Durante a pesquisa para a elaboração do projeto lembro dele contando como foi a formação do ministério de Dança Litúrgica. "O primeiro motivo era litúrgico. Tinha como objetivo promover a interação com a cultura do povo que celebra. A gente sabe que, no Brasil, a cultura negra foi, de certa maneira, esmagada; então a gente quis trabalhar a dignidade, a autoestima das pessoas da comunidade. A maior parte de população o bairro tem nítida influência cultural de herança africana e cada vez mais assumida pelos jovens. Mas é levada em conta toda a herança cultural da região”. Houve um estudo, um preparo e um trabalho com todo cuidado, sempre levando em consideração a comunidade. Hoje, 35 anos depois, eu entro na Igreja e vejo que os sacerdotes que sucederam o padre Jaime não têm o menor respeito pela nossa história. Com sua vaidade, modificam a estrutura física e litúrgica da comunidade, sem procurar entender, estudar. Ministérios são desfeitos. Grupos encerrados. Celebrações que seguem unicamente a vontade do padre que administra a paróquia. Onde estão os mais de 150 jovens que se crismavam todos os anos!? Onde estão as crianças da catequese? Onde estão nossos grupos de estudo litúrgico e bíblico? Onde está o respeito por aqueles que construíram a história daquele lugar? A Casa de Deus não deveria ser A Casa do Povo!.? Hoje a Igreja se transformou na Casa do padre. E lá ele faz o que quer. E nós, filhos, ficamos cada dia mais órfãos...sem pastor.
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