sexta-feira, 3 de outubro de 2014

A solidão acompanhada das redes sociais

E cada vez mais estamos sós. As redes sociais têm se tornado companhia. Saímos só. Viajamos só. Passeamos só. E, em nossa mente inocente, pensamos: Sou muito bem resolvida! Tenho a liberdade de sair sem precisar de ninguém. Ledo engano.
Não estamos mais só - ou estamos CADA VEZ MAIS SOLITÁRIOS!

Basta a internet ficar offline que todo a nossa autoconfiança vai por água abaixo. Como vou fazer uma "selfie"? Como vou publicar a minha felicidade? Como vou mostrar as pessoas que estou bem?
E aí bate o desespero. A solidão sentida, que só percebemos quando, verdadeiramente, deitamos a cabeça no travesseiro - desde que não durma com o smartphone - e estamos só nós e o pensamento.
Algumas vezes nem é por exibicionismo. Fazemos 189373676145632 selfie, onde não dá pra ver quase nada, além do nosso próprio rosto e, nem esperamos que todas os 35423 seguidores curtam. Lá no fundo, desejamos que uma pessoa só curta...tem que ser AQUELA pessoa. Daí já ganhamos o dia. Já ficamos felizes. E, muitas vezes, o ato de curtir é até involuntário, sem significado, vazio.
Nossa mente que transforma tudo em sinal. Nos iludimos. Gostamos da ilusão. Gostamos de fazer de conta que somos amados, desejados, queridos. E como ser querido sem as redes sociais?
Impossível.
No mundo da fantasia virtual somos tudo o que sempre quisemos ser. Até feliz!
No mundo real, choramos, brigamos, ficamos feios e andamos por aí, sem rumo, sem destino, sem ninguém... Ficamos tristes. Mas tristeza não é atrativo. Então pra quê publicar?
Escondemos nossas dores.
Exibimos nossa ilusão.
Oh, solitária vida...
A gente não quer um turbilhão de "likes". No fundo só desejamos um que faça nossa vida offline valer a pena.

(Angélica Souza)

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