"Às vezes, aniversário é como réveillon: a gente pensa que, como num passe de mágica, nossa vida vai mudar e tudo que é velho vai ficar pra trás e tudo chega com o “ano novo”. Talvez seja essa nossa necessidade de estipular um prazo para as coisas pensando, erroneamente, que nossa vida está sob nosso comando e que, quando quisermos, podemos mudar.Algumas coisas, de fato, são passíveis de mudança.Outras não.
Cheguei aos 33, com o coração de quem se apaixona pela primeira vez. Pensamos com a emoção deixando a racionalidade de lado e isso pode acontecer aos 15, 30 ou 45 anos. Quando o assunto é coração não adianta lutar e ser adulto, você vai sofrer e vai travar e vai esquecer palavras e se tornar criança, enviando mensagens de madrugada e acordando morrendo de vergonha, sem saber onde coloca o olhar.
Passou meu aniversário e nada mudou. Continuo com minhas inquietações, minhas ansiedades... Continuo perdendo a razão e com o coração batendo descompassado a cada ação – ou NÃO AÇÃO.
Parafraseando Martha Medeiros, continuo sendo "uma mulher madura que às vezes anda de balanço. Uma criança insegura que às vezes usa salto alto, uma mulher que balança”... Talvez nos próximos 365 anos eu consiga escolher qual das duas predominam na minha vida. Talvez, como tantos anos, eu consiga equilibrar as duas ao mesmo tempo dentro de mim.
Ser adulta requer responsabilidades que o coração ainda desconhece. E é neste momento que a criança grita, chora, esperneia. Ser criança é chorar em público e não se envergonhar com isso. Ser adulta é engolir o choro e deixar a lágrima secar antes de escorrer pelo rosto para não ter que explicar, como se fragilidade fosse algo proibido.
O fato é que, adultos e crianças possuem as mesmas fragilidades. A diferença é que a criança é mais feliz por conseguir expressar seus amores e temores.
(Angélica Souza)
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